DOU 12/09/2022 - Diário Oficial da União - Brasil

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Nº 173, segunda-feira, 12 de setembro de 2022
ISSN 1677-7042
Seção 1
Para valores de PHOCT inferiores a 90%, deve-se calcular o consumo de
energia da edificação para as horas não atendidas de conforto, adotando-se o sistema de
condicionamento de ar proposto para atender as horas em que a ventilação natural não
for suficiente.
Nota 2: Nas edificações naturalmente ventiladas e parcialmente ventiladas
naturalmente, o consumo de energia da condição de referência (classificação D) não deve
considerar o uso da ventilação natural.
Nota 3: Na documentação apresentada, deve-se especificar qual o método
relativo aos limites da zona de conforto térmico adotada (exemplo: ASHRAE 55,
2017).
C.I.7. Condição da edificação de referência
As condições de referência são definidas por tipologias, e estão apresentadas
nas tabelas do Anexo A. O modelo que representa a condição de referência deve ser
simulado, considerando as características de acordo com a tipologia avaliada.
Para a condição de referência, deve-se calcular somente a carga térmica de
refrigeração anual total da edificação de referência (CgTR), adotando um sistema de
carga ideal ("ideal loads"), no programa de simulação.
Para calcular o consumo da edificação de referência, deve-se dividir a carga
térmica de refrigeração e aquecimento anual total da edificação de referência (CgTR) por
2,6 W/W, que é o valor do coeficiente de eficiência energética do sistema de
condicionamento de
ar para
refrigeração (CEER)
definido para
a edificação
de
referência.
Caso a edificação real possua aberturas zenitais, a condição de referência
deve ser simulada com base na Tabela C.1. Quando o PAZ da edificação real estiver
dentro do intervalo especificado na Tabela, para o referido GC e FS, a condição de
referência deve seguir a condição real. Se o PAZ da condição real extrapolar o limite
proposto, deve-se adotar o percentual máximo da Tabela para a condição de referência,
bem como o fator solar máximo (por exemplo, edificação real localizada no GC 17, com
PAZ de 4% e FS de 0,30; a condição de referência deve ser simulada com PAZ de 3% e
FS de 0,67.
Nota: No caso da última linha da Tabela, quando o PAZ real for inferior ao
limite mínimo descrito, deve-se adotar 2,1%.
Tabela C.1 - Limites de PAZ e fator solar de vidros para coberturas na
condição de referência
Classificação Climática
PAZ
FS
Zonas bioclimáticas
1 a 3
0 a 2%
0,87
Zonas bioclimáticas
4 a 8
0 a 2%
0,87
2,1 a 3%
0,67
O PAZ da edificação em sua condição de referência deve ser modelado nas
mesmas zonas térmica da modelagem da edificação real; se houver mais de uma zona
onde esse percentual se localiza, deve-se manter a distribuição e proporção das
aberturas zenitais como na edificação real.
ANEXO C.II - SIMULAÇÃO DE ILUMINAÇÃO NATURAL
O método de simulação deve ser aplicável tanto para o cômputo da redução
do consumo energético em função da instalação de fotossensores (envoltória, subitem
B.I.2.2.2.2 e sistema de iluminação, subitem B.III.3), como a condição de avaliação do
potencial de integração entre o sistema de iluminação e a luz natural disponível (subitem
7.2.1).
C.II.1. Características do programa computacional para a simulação de
iluminação natural
O programa computacional de simulação de iluminação natural deve possuir,
no mínimo, as seguintes características:
a) Ser um programa para a análise da iluminação natural em edifícios;
b) Possibilitar a modelagem climática anual horária ou sub-horária por meio
de arquivos climáticos, conforme item C.II.2 (modelar 8.760 horas por ano);
c) Modelar a posição e a intensidade solar, bem como a luminância e a
distribuição da abóboda celeste utilizando os modelos de céu de Perez et al. (1993a e
1993b) ou por meio da CIE ISO 15569:2004 (ISO, 2004);
d) Utilizar divisão de céu para a modelagem do sol com ângulo inferior a 5°,
ou com mais de 2.305 divisões;
e) Utilizar programas que adotem o algoritmo do raio traçado ou da
radiosidade;
f) Permitir a modelagem espacial geométrica e das propriedades dos materiais
como as suas características de reflexão e transmissão difusa e especular; bem como das
soluções tecnológicas ou de geometrias complexas a serem avaliadas, conforme descrito
no item C.II.3;
g) Permitir a modelagem e operação de persianas e cortinas conforme o
algoritmo presente na versão mais atual da IES LM-83; e
h) O programa deve oferecer resultados em formato que permita aos usuários
examiná-los graficamente, incluindo a geometria avaliada, a malha de pontos e a sua
relação com o norte verdadeiro. Deve-se permitir a leitura dos resultados de ALNE para
cada plano de análise individualmente, bem como de ALN para cada ponto de
análise.
C.II.2. Arquivo climático para a simulação de iluminação natural
O arquivo climático utilizado deve
possuir, no mínimo, as seguintes
características:
a) Conter uma série temporal anual de 8.760 valores horários anuais (365
dias);
b)
Fornecer os
parâmetros
requeridos
pelo programa
de
simulação
computacional, tais como irradiação/iluminância horizontal global, irradiação/iluminância
direta normal e irradiação/iluminância difusa horizontal;
c) Os dados climáticos devem ser representativos da classificação climática
onde o projeto proposto será locado e, caso o local do projeto não possuir arquivo
climático,
deve-se utilizar
dados climáticos
de
uma região
próxima que
possua
características climáticas semelhantes; e
d) Devem ser utilizados, preferencialmente, arquivos climáticos com formato
INMET publicados no endereço: <http://pbeedifica.com.br/arquivos-climaticos>; além
deste, podem ser utilizados o formato SWERA, TMY ou TRY3.
C.II.3. Procedimento para a simulação de iluminação natural
Inicialmente, deve ser realizada a simulação da Exposição Anual à Luz Solar
Direta (EAS1000lx,250h) para a identificação das horas em que as persianas ou cortinas
devem ser fechadas de forma a evitar o risco de ofuscamento nas áreas aplicáveis.
Para modelar condições de risco de ofuscamento deve-se considerar, em
ambos os casos abaixo descritos (a e b), hipoteticamente, que as cortinas ou persianas
serão fechadas a fim de evitar desconforto do usuário causado pelo excesso de
iluminação. O algoritmo de operação das cortinas/persianas deve adotar o disposto no
item C.II.5 e o protocolo de modelagem em função da Exposição Solar Direta Anual
( EA S 1000lx,250h) da IES LM 83 mais atual.
Com base nas condições de iluminação natural resultantes, deve-se:
a) Para avaliações do potencial de integração entre o sistema de iluminação
e a luz natural disponível, simular a autonomia da luz natural espacial ALNE300lx,50%;
b) Para o cálculo da redução do consumo de energia primária pela instalação
de
fotossensores,
simular
a
operação do
sistema
de
iluminação
artificial
e,
consequentemente, a potência de iluminação em uso de controles (PIU).
__________________________________
3 INMET - Instituto Nacional de Meteorologia; SWERA - Solar and Wind Energy
Resource Assessment; TMY - Typical Meteorological Year; TRY - Test Reference Year
C.II.3.1. Procedimentos de modelagem comuns à avaliação da redução do
consumo de energia primária da edificação e potencial de integração entre o sistema de
iluminação e a luz natural disponível
O modelo deve contemplar as seguintes características:
a) A malha de pontos do plano de análise deve ser realizada conforme
descrito no item C.II.4;
b) A operação e a modelagem das cortinas/persianas devem seguir o disposto
no item C.II.5;
c) A volumetria da edificação deve ser modelada, independentemente da
quantidade de ambientes avaliados, visando caracterizar qualquer condição de auto-
obstrução.
d) Modelar qualquer abertura que seja capaz de admitir luz natural ao interior
dos ambientes avaliados, seja de forma direta ou indireta. As aberturas devem ser
modeladas em três dimensões.
e) Todos os detalhes das aberturas, como esquadrias, peitoril, batentes e
montantes, etc, maiores do que 5 cm devem ser modelados4. Alternativamente, esses
detalhes das aberturas podem ser agrupados e a sua área calculada como "área de
oclusão". Essa área é utilizada para se determinar a razão entre a área de oclusão e a
área bruta do vão, resultando no fator de redução da transmissão visível do vidro,
conforme a Equação C.II.1. A área de abertura adotada para a simulação deve ser a área
bruta da abertura e a transmissão visível, corrigida pelo fator de redução, ver Equação
C.II.2.
_______________________
4 Quando os detalhes das esquadrias não forem conhecidos, deve-se assumir
um fator de redução em relação à abertura bruta de 20% para aberturas laterais, e 10%
para as zenitais.
1_MECON_12_103
a) A transmissão visível dos vidros deve ser modelada descontando-se o
fator de depreciação por sujeiras. O fator de depreciação para aberturas verticais deve
ser de 5%; para aberturas inclinadas a ângulos verticais entre 85° e 20° deve ser de
10%, e para aberturas horizontais ou com inclinação menor que 20°, de 15%;
b) Modelar elementos de proteção solar fixos ou móveis, incluindo toldos.
Elementos de proteção solar ou redirecionadores de luz devem ser modelados com
acuracidade em relação ao ângulo, dimensão, posição e propriedades óticas. Quando a
refletância das superfícies desses elementos for desconhecida, considerar 30%;
c) As refletâncias das superfícies devem ser as mesmas das superfícies
acabadas. Caso as refletâncias não sejam conhecidas, deve-se adotar:
- piso interno = 20%;
- paredes e estruturas fixas internas (altura maior ou igual a 0,75 m) =
50%;
- teto = 70%; e
- superfícies externas da edificação = 40%.
d) Partições fixas internas devem ser modeladas quando as alturas forem
iguais ou superiores a 0,75 m (por exemplo, bancadas divisórias, paredes a meia altura,
ilhas de cozinha). As refletâncias das superfícies devem ser aquelas especificadas no
projeto. Quando desconhecidas, adotar o valor de 50%;
e) Qualquer elemento translúcido fixo
dentro do ambiente deve ser
modelado considerando sua respectiva transmissão visível.
f) Não modelar mobiliário e nenhum elemento interno móvel; e
g) As portas devem ser modeladas fechadas.
Se os dados
do ambiente a ser avaliado
não estiverem disponíveis,
suposições podem ser empregadas (por exemplo, propriedades de superfícies internas).
Todas as suposições feitas devem ser declaradas.
A modelagem do entorno da edificação deve considerar os seguintes
aspectos:
a) As obstruções
externas devem ser modeladas
considerando-se as
edificações e topografia do entorno imediato. Entende-se como entorno imediato todos
os terrenos, edificações e vias adjacentes que se encontrem dentro de um setor
angular horizontal de 120°. Adicionalmente, também deverá ser considerada toda a
obstrução que, mesmo não adjacente, ultrapasse um ângulo vertical de 30°, medido a
partir da verga da janela do nível da edificação em análise, a uma distância de até 90
m. A demarcação do setor angular se dá a partir da direção perpendicular à fachada
em análise, compreendendo um setor de 60° para a esquerda e de 60° para a direita.
Os afastamentos reais, bem como a largura das vias devem ser contabilizados;
b) O entorno pode ser modelado apenas como superfícies planas, sem
detalhamento;
c) A refletância média adotada deve ser de 40% para as edificações e de
10% para o piso (CEN, 2018); e
d) A modelagem da vegetação é facultativa em função da variabilidade de
suas características, seja por motivos naturais ou alterações paisagísticas. Caso haja
interesse na modelagem da vegetação, podem ser utilizadas formas simplificadas
(esferas, cones ou cilindros) nos tamanhos apropriados e com 20% de refletância.
C.II.3.2. Procedimentos de modelagem exclusivos
para a avaliação da
redução do consumo de energia primária:
A modelagem, além de atender ao item C.II.3.1, deve:
a) Considerar o mesmo período de operação conforme a tipologia da
edificação e as tabelas do Anexo A;

                            

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