DOU 26/10/2023 - Diário Oficial da União - Brasil
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Nº 204, quinta-feira, 26 de outubro de 2023
ISSN 1677-7042
Seção 1
3.1.6 Assim, o gerenciamento do CCV de um SD pode ser dividido em três etapas, que são: Planejamento do Gerenciamento de Custos; Estimativa do CCV; e Monitoramento e Controle.
3.2 Planejamento do Gerenciamento
3.2.1 A padronização de processos é fundamental para garantir a coerência e consistência dos dados coletados. Sendo assim, é necessário estabelecer um Plano de Gerenciamento
de CCV (PGCCV) do SD para orientar e facilitar o trabalho de estimativa e gerenciamento do CCV. A elaboração do PGCCV é realizada com base nas informações disponíveis sobre o SD,
situação em que se estabelecem os procedimentos, as premissas e as restrições para o planejamento, gerenciamento, monitoramento e controle dos custos.
3.2.2 É importante considerar que, nesse momento do planejamento, as informações podem ser incompletas. Logo, a finalidade do plano é prover orientações iniciais para
as estimativas de CCV e atualizá-las, conforme o incremento da maturidade das informações.
3.2.3 São informações que constam em um PGCCV:
a) o modelo de EAC que será utilizada ao longo do CV;
b) o procedimento pelo qual serão coletados e gerenciados os dados;
c) as bases, critérios, qualificação e fontes utilizadas nas estimativas (ex. data de referência, moedas, taxas de câmbio etc.);
d) as unidades de medida que serão utilizadas para cada um dos recursos (homem-hora, tonelada, preço global etc.);
e) o nível de detalhamento de categorias e elementos de custo (entregas, pacotes de trabalho e atividades);
f) as técnicas de estimativas que serão utilizadas;
g) as orientações para o registro das memórias de cálculo; e
h) o local onde serão armazenados os documentos gerados.
3.2.4 Mais detalhes sobre as informações recomendáveis em um PGCCV são apresentados no Apêndice C (Estrutura Básica do Plano de Gerenciamento do Custo de Ciclo
de Vida - PGCCV), deste Manual.
3.2.5 São consideradas boas práticas no planejamento do CCV:
a) compor equipe multidisciplinar, experiente e capacitada, cujas responsabilidades estejam claramente definidas;
b) identificar o propósito da estimativa e o seu escopo. Assim, será mais fácil a determinação de um SD;
c) definir a composição do escopo e seus requisitos;
d) garantir que o PGCCV possua cronogramas e responsabilidades claramente definidas; e
e) prevenir erros e mal entendidos para o conteúdo do projeto, além de ser a base ao longo da estimativa de CCV.
3.3 Estimativa do CCV para SD
O processo de estimativa de CCV será detalhado a seguir e, no Capítulo IV, serão apresentadas as técnicas de estimativas. Será abordada, majoritariamente, a estimativa
tipo Bottom-Up, por ser o método de maior complexidade para execução, tendo em vista que decompõe o SD até o seu nível mais pormenorizado. Entretanto, é muito comum o
uso simultâneo de diferentes técnicas durante a realização de uma estimativa de custo de um SD. Consideram-se boas práticas para estimar o CCV de SD, a execução das ações
contidas nos tópicos subsequentes.
3.3.1 Definição do objetivo da estimativa.
3.3.1.1 Para se definir o objetivo da estimativa, é de suma importância que o estimador de custos entenda a necessidade do solicitante, uma vez que tais custos estarão
vinculados aos dois contextos decisórios mencionados no item 3.1.2.
3.3.1.2 Recomenda-se que a estimativa de CCV inclua todos os custos de concepção, desenvolvimento, produção, operação, apoio e desfazimento, sejam eles internos à
organização ou frutos de contratos externos.
3.3.2 Desenvolvimento do planejamento da estimativa.
3.3.2.1 O planejamento adequado de uma estimativa de custos é composto por uma equipe multidisciplinar. Recomenda-se que os principais conhecimentos de interesse
incluam as áreas de economia, orçamento, engenharia, matemática, ciência da computação, estatística, contabilidade, comunicação, assuntos públicos e governamentais, entre outras
julgadas relevantes pelo gestor. A quantidade e a capacitação de pessoal podem variar de acordo com a necessidade do programa.
3.3.2.2 Sugere-se que a equipe crie um cronograma para o desenvolvimento da estimativa, incluindo marcos realistas e considerando possíveis imprevistos.
3.3.2.3 Recomenda-se atenção para a constante necessidade de capacitação da equipe, haja vista que tal fator é essencial para a confiabilidade das estimativas.
3.3.2.4 O tempo e os recursos humanos são fatores que estão diretamente relacionados à qualidade da estimativa. Quanto maior for o nível de detalhes, mais tempo e
pessoal será necessário à elaboração da estimativa.
3.3.2.5 Cada sistema possui características físicas e de desempenho únicas, devendo os analistas conhecê-las antes de desenvolver uma estimativa de custo.
3.3.3 Determinação da estrutura da estimativa.
3.3.3.1 Recomenda-se definir uma EAC que seja padronizada e orientada às características do produto e que corresponda aos níveis de CCV estabelecidos no PGCCV.
3.3.3.2 A EAC desmembra o valor total estimado em partes menores e mais específicas com a finalidade de facilitar o gerenciamento.
3.3.3.3 A prática comum é que a configuração inicial da EAC passe por aprimoramentos sucessivos à medida que o SD avança em seu CV e mais informações são conhecidas
e esclarecidas. Logo, a EAC pode ser considerada um documento dinâmico.
3.3.3.4 Recomenda-se a elaboração de descrições detalhadas dos elementos de custos da EAC. A quantidade de níveis de sua estrutura depende da complexidade, dos riscos
existentes e do nível de controle exigido no SD.
3.3.3.5 Sugere-se que cada FS padronize uma EAC de acordo com a natureza e ambiente operacional de cada SD, pois isso permitirá o compartilhamento de dados entre
os programas.
3.3.4 Distribuição das atividades de cada elemento da EAC.
3.3.4.1 Uma vez que CV do SD inicia com um programa de obtenção do sistema, é de suma importância à distribuição de atividades na EAC. O modelo de tabela de cálculo
de custos de atividade pode ser utilizado como referência, previsto no Apêndice B deste Manual.
3.3.4.2 Além do escopo do programa de obtenção do SD, sugere-se incluir as atividades referentes às demais fases de CV do sistema (operação, apoio e desfazimento),
utilizando-se como base os elementos de custos contidos na EAC apresentada no Apêndice A deste Manual.
3.3.5 Definição de regras e premissas básicas.
3.3.5.1 De modo geral, as estimativas de custos são baseadas em informações limitadas e, portanto, dependem de suposições que tornem possível concluir a estimativa.
Estas suposições são denominadas regras básicas e premissas.
3.3.5.2 As regras básicas e as premissas são conceitos distintos, embora muitas vezes sejam tratados de forma conjunta.
3.3.5.3 Regras básicas são definições que fornecem orientação à estimativa e minimizam conflitos de definição. Por exemplo, os requisitos representam regras básicas da
estimativa de custos.
3.3.5.4 Premissas são julgamentos sobre condições passadas, presentes ou futuras postuladas como verdadeiras na ausência de prova contrária. Na ausência de referencial
teórico e regras básicas, o analista é responsável por fazer suposições que permitem o desenvolvimento da estimativa. Ou seja, premissas são necessárias quando nenhuma regra básica
foi fornecida. Portanto, é recomendável que o analista garanta que as premissas sejam baseadas em opiniões de especialistas. Algumas premissas influenciam fortemente o custo e
podem ser utilizadas como entradas para as análises de sensibilidade e incerteza.
3.3.5.5 Como boa prática, considera-se que a estimativa de custo tenha todas as regras básicas e premissas utilizadas registradas e documentadas, prontas para consulta.
É necessário demonstrar a lógica, as informações técnicas, os dados históricos que as suportam e os riscos associados aos elementos da EAC.
3.3.5.6 O conjunto de regras básicas e premissas permitem:
a) satisfazer os requisitos para os principais pontos de decisão do projeto;
b) tornar a estimativa mais completa, fidedigna e profissional;
c) fornecer dados e técnicas de estimativa úteis para outros estimadores de custos;
d) facilitar a reconstrução da estimativa quando os estimadores iniciais não estiverem mais disponíveis; e
e) fornecer uma base de dados para a estimativa de custos que documente áreas de risco potencial.
3.3.6 Coleta e Transformação de dados de CCV.
3.3.6.1 É recomendável a verificação dos procedimentos pelos quais serão coletados e gerenciados os dados e a credibilidade de suas fontes. Em seguida, efetivar a extração
transformação e carga (ETL), de acordo com os critérios aplicáveis da contabilidade de custos, inflação e ajustes de quantidade.
3.3.6.2 O processo de ETL permite definir a qualidade e a forma com que os dados serão manipulados e é uma atividade crítica para o desenvolvimento de uma estimativa
de custos confiável. Portanto, é importante que sejam planejados, com antecedência, tempo e recursos suficientes para essas tarefas.
3.3.6.3 Durante a coleta, recomenda-se que sejam documentadas todas as informações pertinentes, incluindo uma avaliação da confiabilidade, precisão e rastreabilidade
dos dados. Esse procedimento é importante para a utilização desses dados em estimativas futuras.
3.3.6.4 A estimativa pode ser baseada em um registro histórico de outras estimativas de custos ou em experiências reais de outros projetos que sejam similares.
3.3.6.5 Os dados de custos normalmente são ajustados com um índice adequado, como a taxa de inflação e de câmbio real, quando aplicável, para que as comparações
e projeções sejam válidas.
3.3.6.6 A base de dados é parte integrante fundamental de toda estimativa de custos, influenciando sua qualidade e confiabilidade.
3.3.7 Desenvolvimento da estimativa de custos.
3.3.7.1 Para cada atividade definida, sugere-se identificar os recursos alocados conforme exemplificado no Apêndice B deste Manual.
3.3.7.2 Na identificação do recurso, informa-se qual a unidade de medida considerada e a quantidade empregada. Nas fases que são cobertas pelo Projeto de Obtenção
do SD, esses dados provavelmente já estarão disponíveis. Entretanto, para a fase de "Custo Total de Operação e Apoio" e para a fase de "Custo Total de Desfazimento", esses recursos
poderão ser estimados.
3.3.7.3 Com a definição das atividades e dos recursos empregados, identifica-se o tempo de duração. Em qualquer caso, de acordo com o nível de informação disponível,
a escolha da técnica de estimativa que mais se adeque ao cálculo do tempo das atividades pode ser feita.
3.3.7.4 Os custos dos itens podem ser obtidos por uma simples pesquisa de mercado ou pela utilização de umas das técnicas de estimativa. As estimativas de custos
geralmente são elaboradas e registradas de maneira que um revisor independente possa ser capaz, não obstante de ter participado do processo, de recriar e seguir a estimativa,
efetuando todos os cálculos e obtendo aos mesmos resultados.
3.3.7.5 Este procedimento garante que:
a) os custos estejam expressos em moeda corrente atualizada;
b) seja desenvolvido um modelo de custo com uso da melhor metodologia aplicável, a partir dos dados coletados e incluindo todas as suas premissas;
c) a correta distribuição dos custos conste no cronograma do projeto;
d) não haja erros como contagem dupla ou custos omitidos;
e) sejam realizadas verificações cruzadas dos direcionadores de custos; e
f) o modelo seja atualizado conforme disponibilidade de novos dados, comparando-se os resultados com as estimativas anteriores.
3.3.8 Análise de Sensibilidade.
3.3.8.1 A primeira etapa de uma análise de sensibilidade requer que os analistas identifiquem os fatores que podem sofrer variação relevante. Recomenda-se que as fontes
de variação sejam documentadas e rastreáveis. A incerteza sobre os valores dos parâmetros técnicos é comum no início do projeto e tende a reduzir de acordo com o desenvolvimento
de um programa. Muitas suposições iniciais acabam sendo imprecisas, portanto é importante identificar a sensibilidade da estimativa de custo total às mudanças nos fatores.
3.3.8.2 Considera-se uma boa prática a integração da análise de sensibilidade à estimativa de custos, pois sua condução facilita a identificação de suposições com grande influência
no projeto. Ela tem como objetivo recalcular a estimativa de custo com diferentes valores em parâmetros importantes, possibilitando comparar os resultados com a estimativa original. Se
uma pequena mudança no valor de um fator gerar uma grande alteração na estimativa de custo geral, os resultados são considerados sensíveis a esse fator.
3.3.8.3 A análise de sensibilidade normalmente é desenvolvida em elementos de alto custo e risco. Por exemplo, tal análise pode avaliar como a estimativa varia com
diferentes suposições sobre os valores de confiabilidade do sistema ou como os custos variam em resposta ao aumento do peso do SD.
3.3.8.4 Recomenda-se realizar um estudo aprofundado sobre os fatores que têm maior efeito na estimativa de custo, de modo a garantir que o melhor valor seja usado.
3.3.9 Análise de Riscos e Incertezas.
3.3.9.1 É essencial entender que os dados de custos utilizados em uma estimativa são incertos. O resultado obtido não é o único possível. Conduzir uma análise de riscos
permite examinar o efeito de incertezas e possíveis resultados distintos.
3.3.9.2 De forma ideal, para análise de riscos e incertezas, recomeda-se:
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