DOU 26/10/2023 - Diário Oficial da União - Brasil
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Nº 204, quinta-feira, 26 de outubro de 2023
ISSN 1677-7042
Seção 1
CAPÍTULO IV
MÉTODOS PARA ESTIMATIVA DO CUSTO DE CICLO DE VIDA
4.1 Desenvolvimento de Estimativas
4.1.1 O desenvolvimento de estimativas confiáveis de CCV é vital para o processo de tomada de decisão e para o desenvolvimento de um planejamento realista. O propósito deste capítulo
é fornecer boas práticas que auxiliem os estimadores de custo no desenvolvimento de estimativas confiáveis de CCV.
4.1.2 As referências para este capítulo são as publicações:
a) GAO Cost Guide (guia publicado pelo U.S. Government Accountability Office - GAO); e
b) ALCCP-1.1 NATO Life Cycle Costs Common Methodology (Manual publicado pela OTAN).
4.1.3 Importância e desafios nas estimativas de CCV.
4.1.3.1 Estimativas confiáveis de custos exigem tempo e disponibilidade de dados de alta qualidade para seu desenvolvimento. Limitações desses fatores podem gerar os seguintes
problemas:
a) premissas mal definidas;
b) ausência de documentação de suporte;
c) ausência de comparação com dados históricos;
d) coleta de dados inadequada e uso de dados não significativos ou desatualizados; e
e) uso de metodologias inadequadas de estimativa.
4.1.3.2 Neste contexto, a construção, manutenção e disponibilização de bancos de dados de custos históricos são primordiais para o desenvolvimento de estimativas de CCV.
4.1.4 Tipos de estimativas.
Existem diferentes tipos de estimativas, tais como as descritas abaixo:
a) estimativas de CCV - Normalmente, é de responsabilidade do Gerente do Programa. Costuma cobrir toda a vida útil do SD e ser distribuída por ano fiscal, desde a fase de obtenção até
a fase de descarte;
b) estimativas para Proposta Orçamentária - Normalmente cobre períodos orçamentários e costuma ser aplicado para anos fiscais. Recomenda-se levar em consideração à correção pelo
índice de inflação oficial do país e identificar os tipos de centros de custos envolvidos;
c) estimativas de Ordem Aproximada de Magnitude - É desenvolvida quando uma estimativa rápida é necessária e poucos detalhes são disponíveis. Normalmente é baseada em
informações históricas, suporta análise de cenários, desenvolvida para uma fase do ciclo de vida; e
d) estimativas de Custos na Conclusão - É uma estimativa que conta com a previsão de custo para completar o trabalho autorizado.
4.1.5 Características de uma estimativa confiável.
4.1.5.1 Uma estimativa de custo confiável é aquela que apresenta características de abrangência, documentação adequada, precisão e fidedignidade, as quais possuem os seguintes
aspectos.
a) abrangência:
1) inclui todos os custos do ciclo de vida;
2) baseia-se em uma descrição de linha de base técnica que define completamente o CV do SD;
3) possui uma EAC rastreável e em um nível de detalhe apropriado para garantir que os elementos de custo não sejam omitidos nem duplicados; e
4) apresenta as regras básicas e premissas que influenciam os custos.
b) documentação Adequada:
1) mostra os dados de origem utilizados, a confiabilidade dos dados e a metodologia de estimativa usada para derivar o custo de cada elemento;
2) detalha como a estimativa foi desenvolvida para que um analista de custos não familiarizado com o programa possa entender a metodologia e replicá-la;
3) descreve a linha de base técnica e seus dados de maneira consistente com a estimativa de custo; e
4) fornece registros de que a estimativa de custo foi revisada e aceita pela administração.
c) precisão:
1) analisa a melhor metodologia a partir dos dados coletados para cada elemento da EAC;
2) efetua o ajuste adequado para o valor presente e é atualizada regularmente para garantir que reflita as mudanças no programa e os custos reais;
3) registra as variações entre os custos planejados e reais; e
4) baseia-se em um registro histórico de estimativa de custos e experiências reais de outros programas efetivamente similares.
d) fidedignidade:
1) inclui uma análise de sensibilidade que identifica uma gama de custos possíveis com base em suposições principais, parâmetros e entradas de dados;
2) inclui uma análise de riscos e incertezas; e
3) emprega verificações cruzadas, ou metodologias alternativas nos principais elementos de custo para validar os resultados.
4.2 Apresentação de Métodos para Estimativas
4.2.1 O objetivo deste tópico é fornecer um entendimento comum dos métodos de estimativas de CCV e uma diretriz com boas práticas para a aplicação dos quatro métodos comumente
utilizados para estimar custos:
a) por analogia;
b) extrapolação;
c) paramétrico; e
d) engenharia.
4.2.2 Estes métodos podem fornecer estimativas com uma visão holística de CCV que atendam a diferentes tipos de estudos e níveis de recursos disponíveis. Entretanto, ressalta-se que
o conhecimento das estimativas não fica restrito a estas ferramentas.
4.2.3 Estimativa de CCV por Analogia.
4.2.3.1 O método por analogia leva em consideração que a maioria dos novos programas evolui de projetos já implantados, que tiveram novos recursos adicionados ou que simplesmente
representam uma nova combinação de componentes existentes. Assim, é uma alternativa célere, viável e adequada para ser utilizada em marcos iniciais, em comparações de estimativas de outros
métodos ou em programas ainda prematuramente definidos.
4.2.3.2 Esse método compara um novo SD com um ou mais sistemas existentes, tendo como fator chave a seleção de dados históricos de componentes, subsistemas ou programas inteiros
que mais se assemelhem e possuam correlação com o novo sistema.
4.2.3.3 Algebricamente, o método por analogia estabelece uma taxa que representa o nível da correlação entre os sistemas, que pode ser obtida.
Custo do Novo Sistema=Fator de Escala×Custo Histórico do Sistema
4.2.3.4 A título de exemplo, consideram-se dois sistemas, com suas respectivas características apresentadas na Tabela 1. O Sistema A é antigo, enquanto o Sistema B é novo. São
conhecidos os dados históricos de custo do Sistema A e o tamanho do software do Sistema B. O objetivo é estimar o esforço de desenvolvimento de software para o Sistema B. Utiliza-se o Sistema
A como referência para a analogia ou, mais especificamente, o parâmetro homem-hora (HH) de esforço por linhas de código fonte em A como multiplicador análogo a ser aplicado ao Sistema B.
.
Sistema
HH para desenvolvimento
Tamanho do software (nº de linhas de código fonte)
.
A
684
18.600
.
B
?
13.700
Tabela 1 - Exemplo de comparação de característica de dois sistemas análogos.
4.2.3.4.1 Sendo assim, a quantidade de HH por pontos de função do Sistema A é dado por:
Fator de Escala (Taxa de Correlação)= HH / Pontos de Função
.
Sistema
HH por linhas de código fonte
.
A
684/18.600 = 0,037
4.2.3.4.2 Por analogia, consegue-se estimar o HH para o desenvolvimento do software do sistema B, multiplicando-se o fator de escala encontrado, 0,037, pela quantidade de linhas de
código fonte do sistema B de 13.700.
.
Sistema
HH por linhas de código fonte
.
B
0,037 x 13.700 = 504
4.2.3.5 Com o intuito de reforçar o caráter exemplificativo deste manual, apresenta-se um segundo exercício do método da analogia. Considerando-se dois sistemas: Sistema Existente e
Sistema Novo, o objetivo é estimar o custo do motor para o Sistema Novo conhecendo sua potência. Isso é feito usando o Sistema Existente como analogia. A Tabela 2 apresenta a aplicação da
metodologia, bem como as características de ambos os sistemas.
.
Parâmetro
Sistema Existente
Sistema Novo
Custo do Sistema Novo
. Motor
F-100
F-200
= (5,2/12.000) x 16.000 = 6,9 milhões
. Potência (lbs)
12.000
16.000
. Custo (Milhões)
5,2
?
Tabela 2 - Exemplo do método da analogia.
4.2.3.6 O método pressupõe uma relação diretamente proporcional linear entre o custo e a potência do motor, pelo fato de existir de uma motivação que justifique que o custo de um
motor seja diretamente proporcional a sua potência. Portanto, ao utilizar o método de analogia, é importante que o estimador pesquise e discuta a razoabilidade dos direcionadores técnicos com
especialistas para determinar se eles são realmente significativos.
4.2.3.7 A Tabela 3 apresenta os pontos fortes e fracos do método:
.
Fo r ç a s
Fraquezas
. a) Tem como base dados históricos;
b) Pode ser desenvolvida de forma rápida e direta durante a fase de concepção, por possuir
menor detalhamento;
c) Facilmente compreensível;
d) Pode ser aplicada antes de se conhecer detalhadamente os requisitos do sistema;
e) Requer poucos dados; e
f) Boa rastreabilidade de auditoria.
a) Pode haver dificuldades na identificação de uma analogia apropriada;
b) Por se tratar de uma estimativa com base em dados históricos, pode não representar
fielmente o problema que está sendo tratado; e
c) Possui elevada subjetividade, por depender de extrapolação e/ou julgamento de especialistas
para ajuste de fatores técnicos.
Tabela 3 - Forças e Fraquezas da estimativa de CCV por analogia
4.2.4 Estimativa de CCV por Extrapolação.
4.2.4.1 O método de extrapolação é utilizado para estimar custos futuros de um determinado SD a partir de custos anteriores e/ou atuais, de um mesmo SD, em semelhança ao método
por Analogia.
4.2.4.2 A incerteza associada a este método tem base na avaliação técnica da semelhança entre a versão anterior do SD e o modelo atual considerado. Quanto mais semelhanças e dados
disponíveis, mais precisa será a estimativa.
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