DOU 28/12/2023 - Diário Oficial da União - Brasil
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100
Nº 246, quinta-feira, 28 de dezembro de 2023
ISSN 1677-7042
Seção 1
A relação dos municípios aptos ao cultivo e os períodos indicados para
semeadura estão disponibilizados no painel de indicação de risco do Ministério da
Agricultura,
Pecuária
e
Abastecimento
através
do
sítio:
https://mapa-
indicadores.agricultura.gov.br/publico/extensions/Zarc/Zarc.html
Para a busca do Zarc Triticale Sequeiro entre em Zarc Oficial e selecione nos
campos:
1. Safra: Selecione a opção "2023/2024";
2: Cultura: Selecione a opção "Triticale Sequeiro";
3. Grupo: Selecione o grupo em que a cultivar esteja agrupada;
4. Solo: Selecione a classe de AD desejado;
5. UF: Selecione a unidade da federação desejada;
6. Município: Selecione o município desejado;
PORTARIA SPA/MAPA Nº 437, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2023
Aprova o Zoneamento Agrícola de Risco Climático -
ZARC para a cultura do Triticale, em sistema de
cultivo de sequeiro, no estado do Paraná.
O SECRETÁRIO ADJUNTO SUBSTITUTO DE POLÍTICA AGRÍCOLA, no uso de
suas atribuições e competências estabelecidas pelo Decreto nº 11.332, de 1º de janeiro
de 2023, e observado, no que couber, o contido no Decreto nº 9.841 de 18 de junho
de 2019, na Portaria MAPA nº 412 de 30 de dezembro de 2020, na Instrução
Normativa SPA/MAPA nº 2, de 9 de novembro de 2021, publicada no Diário Oficial da
União de
11 de
novembro de
2021, do
Ministério da
Agricultura, Pecuária
e
Abastecimento, resolve:
Art. 1º Aprovar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a cultura do
Triticale, em sistema de cultivo de sequeiro, no estado do Paraná conforme anexo.
Art. 2º Fica revogada a Portaria SPA/MAPA nº 628 de 16 de dezembro de
2021, publicada no Diário Oficial da União de 22 de dezembro de 2021, seção 1, que
aprovou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a cultura do triticale sequeiro,
no estado do Paraná.
Art. 3º Esta Portaria entra em vigor em 1º de fevereiro de 2024.
SILVIO FARNESE
ANEXO
1. NOTA TÉCNICA
O triticale (X Triticosecale Wittmack) é o primeiro cereal criado pelo homem.
Oriundo do cruzamento artificial entre trigo e centeio, cujas primeiras plantas férteis
foram obtidas na Alemanha no final do século XIX. No Brasil, o triticale começou a ser
estudado nos anos 1960 e chegou às lavouras comerciais nos anos 1980. Ao unir os
genomas do trigo e do centeio, o triticale, potencialmente, por combinar características
positivas das duas espécies, pode apresentar vantagens competitivas em áreas
consideradas marginais para o cultivo de cereais de inverno no mundo.
No Brasil, inicialmente, o triticale foi cultivado com o objetivo de ser um
substituto do trigo na alimentação humana. Todavia, pelas caraterísticas tecnológicas da
farinha de triticale, o seu uso ficou restrito a mesclas com trigos para a fabricação de
biscoitos e, principalmente, na alimentação animal (suínos e aves).
A disponibilidade hídrica e a temperatura do ar são as principais variáveis
ambientais que influenciam o crescimento e o desenvolvimento do triticale. O triticale
costuma apresentar tolerância elevada a condições ambientais adversas como o
estresse térmico (altas ou baixas temperaturas), acidez do solo, salinidade, alcalinidade,
estresse mineral
(deficiência/excesso), estresse
hídrico (deficiência/excesso), entre
outros. Por isso, é considerado um cereal para cultivo em ambientes menos favoráveis
ou para sistemas agrícolas com baixo investimento tecnológico.
A cultura apresenta relativa tolerância a estiagens, principalmente em solos
ácidos. A tolerância do triticale à acidez permite que as plantas desenvolvam o sistema
radicular que atinge maior profundidade, garantindo capacidade de adaptação às
condições de estresse.
A temperatura do ar é a principal variável ambiental que influencia a
duração do ciclo do triticale. A faixa de temperatura ideal para o crescimento e
desenvolvimento do triticale é de 15 a 25°C. A ocorrência de frio no início do ciclo de
desenvolvimento pode favorecer a cultura, uma vez que baixas temperaturas prolongam
o período vegetativo, permitindo maior emissão de perfilhos, aumento de área foliar e
estabelecimento do sistema radicular.
Os cereais de inverno, como o trigo e o triticale, são suscetíveis a danos
provocados por geada durante todo o ciclo de desenvolvimento da cultura. Entretanto,
a fase mais sensível é no Espigamento/florescimento quando a ocorrência de geadas
pode provocar redução do rendimento e qualidade dos grãos.
O excesso de
chuva na fase de enchimento de
grãos favorece o
aparecimento de doenças na espiga. A ocorrência de doenças na espiga do triticale
pode provocar redução do rendimento e da qualidade dos grãos, uma vez que alguns
microorganismos podem produzir micotoxinas que limitam o consumo destes grãos por
animais monogástricos.
O excesso de chuvas na maturação dos grãos (próximo à colheita) pode
provocar
a germinação
dos grãos
na
espiga e,
consequentemente, redução
do
rendimento e do peso hectolitro dos grãos.
A precipitação de granizo provoca danos diretos na cultura do triticale,
provocando quebra de colmos, dilaceração de folhas, redução da área foliar e debulha
das
espigas. Os
danos indiretos
estão
relacionados à
dilaceração das
plantas,
aumentando a
suscetibilidade das mesmas à
incidência de insetos,
fungos e
bactérias.
O triticale é uma cultura que apresenta elevada plasticidade em relação a
variáveis ambientais. Todavia, o rendimento de grãos e a viabilidade econômica da
cultura são diretamente influenciados por geadas no espigamento, pelo excesso de
umidade e deficiência hídrica a partir do espigamento, chuvas de granizo na colheita e
excesso de umidade combinado com temperaturas elevadas no enchimento de grãos,
entre outros.
Objetivou-se, com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, identificar o
período de semeadura, para o cultivo, em sistema de sequeiro, do triticale, com
probabilidades de perdas de rendimento de grãos inferiores a 20%, 30% e 40% devido
à
ocorrência
de
eventos meteorológicos
adversos.
Assim,
contribuindo,
como
ferramenta de gestão de riscos, para a expansão das áreas agrícolas, redução das
perdas de produtividade e estabilidade da produção desse cereal no País.
O modelo para cálculo do balanço hídrico utilizado no ZARC foi o SARRA
(Systeme d'Analyse Regionale des Risques Agroclimatiques). Este modelo foi usado para
se obter as necessidades hídricas e o Índice de Satisfação da Necessidade de Água para
a cultura (ISNA), que foi definido como a razão entre a evapotranspiração real da
cultura (ETr) e evapotranspiração máxima ou potencial da cultura (Etc).
Ressalta-se que se trata de um modelo agroclimático, cujo pressuposto é de
não ocorrência de limitações por fertilidade de solo ou danos às plantas por ocorrência
de plantas daninhas, insetos-pragas e doenças.
Para delimitação das áreas aptas ao cultivo do triticale de sequeiro, em
condições de baixo risco, foram adotados os seguintes parâmetros e variáveis:
I. Precipitação Pluvial:
Foram utilizadas séries de dados de chuva preferencialmente com 30 anos
de dados. Somente em regiões com escassez de séries de dados de longa duração
foram consideradas séries com um mínimo de 15 anos de dados diários, contabilizando
um total de 3.500 séries pluviométricas;
II. Evapotranspiração de referência (ETo):
A ETo foi utilizada através de médias decendiais calculadas pelo método de
Hargreaves e Samani, previamente adaptado e recalibrado para as condições
brasileiras.
III. Coeficiente de cultura (Kc):
As curvas de Kc, conforme modelo conceitual FAO - 56, foram geradas para
valores decendiais, por meio de um modelo bilogístico ajustado a partir de valores de
Kc iniciais (0,40), máximo (1,00) e final (0,40). Os valores decendiais de Kc foram
gerados para cada agrupamento de cultivares. O Kc, utilizado para a determinação da
Evapotranspiração Máxima da Cultura (Etc.) decendial para cada unidade da federação,
são apresentados na tabela abaixo:
.
Ciclo
(dias)
Decêndios
.
.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
.
110
0,4
0,44
0,56
0,74
0,89
0,96
0,98
0,97
0,92
.
120
0,4
0,44
0,55
0,72
0,88
0,95
0,98
0,98
0,96
.
130
0,4
0,44
0,54
0,7
0,86
0,94
0,98
0,99
0,98
.
140
0,4
0,44
0,53
0,69
0,84
0,93
0,97
0,98
0,99
.
150
0,4
0,43
0,52
0,67
0,83
0,92
0,97
0,98
0,99
.
160
0,4
0,43
0,51
0,65
0,81
0,91
0,96
0,98
0,99
.
170
0,4
0,43
0,51
0,64
0,79
0,9
0,96
0,98
0,99
.
Ciclo
(dias)
Decêndios
.
.
10
11
12
13
14
15
16
17
.
110
0,76
0,51
.
120
0,9
0,74
0,5
.
130
0,96
0,89
0,72
0,5
.
140
0,98
0,95
0,87
0,71
0,49
.
150
0,98
0,97
0,94
0,86
0,69
0,49
.
160
0,99
0,98
0,97
0,93
0,84
0,68
0,49
.
170
0,99
0,99
0,98
0,96
0,92
0,83
0,67
0,49
Norte do Paraná
. Ciclo
(dias)
Decêndio
.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
. 100
0,40
0,44
0,57
0,76
0,91
0,97
0,98
0,93
0,78
0,51
. 110
0,40
0,44
0,56
0,74
0,89
0,96
0,98
0,97
0,92
0,76
0,51
. 120
0,40
0,44
0,55
0,72
0,88
0,95
0,98
0,98
0,96
0,90
0,74
0,50
. 130
0,40
0,44
0,54
0,70
0,86
0,94
0,98
0,99
0,98
0,96
0,89
0,72
0,50
IV. Temperatura:
Foi considerado o risco de geada foi estimado pela análise da frequência de
ocorrência de temperaturas do ar igual ou menor a 1,0 °C, com base na temperatura
do ar em abrigo meteorológico. O diagnóstico de risco de geada foi considerado em
dois decêndios (20 dias) ao redor do espigamento, incluindo o decêndio imediatamente
anterior (n-1) e no decêndio do espigamento (n).
V. Ciclo e Fases fenológicas:
Fase
I: Estabelecimento
da
cultura
(semeadura/emergência); Fase
II:
Crescimento Vegetativo; Fase III: Espigamento/floração/enchimento de grãos; Fase IV:
Maturação. As cultivares do triticale foram classificadas em três grupos de cultivares:
.
Grupo
Nº médio de dias
da emergência à
maturação ponto de colheita
.
Grupo I
£ 120
.
Grupo II
121 - 140
.
Grupo III
> 140
VI. Capacidade de Água Disponível (CAD):
A Capacidade de Armazenamento de Água Disponível (CAD) para a cultura
da soja foi estimada com base na profundidade efetiva do sistema radicular (Ze), e a
Água Disponível (AD) nas diferentes classes. Foram considerados 6 classes de solos,
AD1, AD2, AD3, AD4, AD5 e AD6; com capacidade de armazenamento de 24 mm, 32
mm, 42 mm, 55 mm, 72 mm e 95mm, respectivamente; e uma profundidade efetiva
média do sistema radicular (Ze) de 60 cm.
Estas informações foram incorporadas ao modelo de balanço hídrico para a
realização das simulações necessárias para identificação dos períodos favoráveis para a
semeadura. Foram realizadas simulações para 36 períodos de semeadura, espaçados de
10 dias, entre os meses de janeiro a dezembro.
VII. Índice de Satisfação das Necessidades de Água (ISNA):
A partir das simulações foram obtidos os valores médios do ISNA para cada
data de simulação de semeadura. O modelo estimou os índices de satisfação da
necessidade de
água (ISNA),
definidos como
sendo a
razão existente
entre
evapotranspiração real (ETr) e a evapotranspiração máxima da cultura (Etc.) para cada
fase de interesse da cultura e para cada estação pluviométrica.
Procedeu-se a análise frequencial das séries de resultados anuais para a
verificação da frequência de ocorrência de anos-safra com valores de ISNA abaixo do
limite crítico para a cultura em cada fase de interesse.
O evento adverso fica caracterizado quando o ISNA de uma determinada
safra ficou abaixo do limite crítico. Posteriormente, os valores de ISNA correspondentes
aos percentis de 20%, 30% e 40% de risco foram georreferenciados por meio da
latitude e longitude e, com a utilização de um sistema de informações geográficas (SIG),
foram espacializados por meio de um estimador espacial geoestatístico (krigagem
ordinária) para a determinação dos mapas temáticos de risco.
Foi considerado um ISNA ³ 0,6 na Fase I - Estabelecimento da cultura, ISNA
³ 0,45 na Fase III - Espigamento/floração/enchimento de grãos.
VIII. Risco de Excesso Hídrico: O risco de excesso hídrico no final do ciclo na Fase
IV (20 dias final do ciclo) foi calculado pelo total de chuva maior ou igual a 185 mm.
Considerou-se apto para o cultivo do triticale de sequeiro os municípios que
apresentaram, em no mínimo 20% de sua área, com condições climáticas dentro dos
critérios considerados.
Notas:
Os resultados do Zarc são gerados considerando um manejo agronômico
adequado para o bom desenvolvimento, crescimento e produtividade da cultura,
compatível com as condições de cada localidade. Falhas ou deficiências de manejo de
diversos tipos, desde a fertilidade do solo até o manejo de pragas e doenças; ou
escolha de cultivares inadequados para o ambiente edafoclimático, podem resultar em
perdas graves de produtividade ou agravar perdas geradas por eventos meteorológicos
adversos. Portanto, é indispensável: utilizar tecnologia de produção adequada para a
condição edafoclimática; controlar efetivamente as plantas daninhas, pragas e doenças
durante o cultivo; adotar práticas de manejo e conservação de solos.
A gestão de riscos de natureza climática na cultura do triticale de sequeiro
pode ser melhorada pela assistência técnica local, via a diluição de riscos, quando são
associadas, ao calendário de semeadura preconizado nas Portarias do Zarc Triticale
Sequeiro, práticas de manejo de cultivos que contemplem a rotação de culturas, o
escalonamento de épocas de semeadura e a diversificação de cultivares (com ciclos
diferentes) em uma mesma propriedade rural.
As lavouras irrigadas não estão restritas aos períodos de plantio indicados
nas Portarias para sequeiro, cabendo ao interessado observar as indicações: do ZARC
específico para a cultura irrigada (quando houver); ou da Assistência Técnica e Extensão
Rural (ATER) oficial para as condições locais de cada agroecossistema.
Informações detalhadas para a condução de uma lavoura de triticale
sequeiro, da semeadura à colheita, podem ser encontradas nas Informações Técnicas
anuais da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale, disponíveis em (escolher
a versão mais atual, conforme safra alvo):
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