DOU 02/01/2024 - Diário Oficial da União - Brasil

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Nº 1, terça-feira, 2 de janeiro de 2024
ISSN 1677-7042
Seção 1
cenário de referência1, inflação em 5,8% em 2023 e 3,6% em 2024.  O Comitê optou 
novamente por dar ênfase ao horizonte de seis trimestres à frente, referente ao 
terceiro trimestre de 2024, cuja projeção de inflação acumulada em doze meses situa-
se em 3,8%. Em cenário alternativo, no qual a taxa Selic é mantida constante ao longo 
de todo o horizonte relevante, as projeções de inflação situam-se em 5,7% para 2023, 
3,3% para o terceiro trimestre de 2024 e 3,0% para 2024. O Comitê julga que a 
incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual. 
 
Na sua última reunião, realizada em março de 2023, o Copom ressaltou que, em seus 
cenários para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Entre os 
riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) 
uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; (ii) a incerteza sobre o 
arcabouço fiscal e seus impactos sobre as expectativas para a trajetória da dívida 
pública; e (iii) uma desancoragem maior, ou mais duradoura, das expectativas de 
inflação para prazos mais longos. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma queda 
adicional dos preços das commodities internacionais em moeda local; (ii) uma 
desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada, em 
particular em função de condições adversas no sistema financeiro global; e (iii) uma 
desaceleração na concessão doméstica de crédito maior do que seria compatível com 
o atual estágio do ciclo de política monetária. 
 
De acordo com comunicado divulgado pelo Copom, a decisão de manter a taxa de 
juros em 13,75% a.a. é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o 
redor da meta ao longo horizonte relevante que inclui os anos de 2023 e, em grau 
maior, de 2024. Adicionalmente, o Comitê afirma que, considerando a incerteza ao 
redor de seus cenários, segue avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica 
de juros por período prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação.  
 
                                                 
1 No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de 
USD/BRL 5,25, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue 
aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além 
disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária "amarela" em dezembro de 2023 e de 2024. O valor para o câmbio é 
obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio USD/BRL observada nos cinco dias 
úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom. 
O ano de 2022 foi marcado pela continuidade da recuperação da atividade econômica 
iniciada em 2021. No primeiro semestre, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou 
elevação robusta, refletindo reabertura plena do setor de serviços e expansão do 
consumo das famílias, em ambiente de recuperação do mercado de trabalho. Houve 
desaceleração da atividade no segundo semestre na medida em que o ciclo de aperto 
da política monetária se traduziu em condições de crédito mais restritivas e a 
recuperação do mercado de trabalho perdeu impulso.   
 
Como fatores positivos para o crescimento destacam-se o papel de estímulos fiscais e 
o fim das medidas de distanciamento social que favoreceram a recuperação do setor 
de serviços, com impactos positivos também sobre o mercado de trabalho. Por outro 
lado, o ciclo de elevação na taxa de juros tem atuado de forma crescente no sentido 
contrário, encontrando-se em território significativamente contracionista, o que agiu 
para moderar o ritmo de atividade econômica. De fato, no 4º trimestre de 2022, o PIB 
registrou recuo comparativamente ao 3º trimestre, dados com ajuste sazonal.  
 
No ano, o PIB cresceu 2,9%, ante 5,0% no anterior. Em 2022, destacou-se a 
recuperação do setor de serviços, em ambiente de encerramento das medidas de 
restrição de mobilidade adotadas durante a pandemia de Covid-19. Houve crescimento 
em todos os componentes da demanda, com destaque para expressiva expansão do 
consumo das famílias, em contexto de recuperação do mercado de trabalho e da 
renda.   Em relação aos componentes do setor externo, as exportações tiveram mais 
um ano de crescimento expressivo, enquanto as importações apresentaram expansão 
modesta. 
 
O ambiente externo se deteriorou recentemente. Episódios de turbulência no mercado 
bancário nos EUA e na Europa elevaram a incerteza e a volatilidade dos mercados e 
requerem monitoramento. Em paralelo, dados recentes de atividade e inflação globais 
se mantêm resilientes e a política monetária nas economias centrais segue avançando 
em trajetória contracionista. 
 
Em 2022, o ritmo de crescimento do saldo das operações de crédito do Sistema 
Financeiro Nacional (SFN) desacelerou em relação a 2021, refletindo o impacto da 
política monetária mais restritiva implementada no período, principalmente no 
segmento de crédito livre. O saldo dos financiamentos alcançou R$5,3 trilhões em 
2022, com variação nominal de 14,0%, inferior à registrada em 2021 (16,4%). O crédito 
às famílias atingiu R$3,2 trilhões, apresentando expansão de 17,7% no ano (21,0% em 
2021) enquanto o crédito às empresas totalizou R$2,1 trilhões, com alta de 9,0% 
(10,6% em 2021). A relação crédito/PIB atingiu 54,2%, registrando acréscimo de 1,6 
p.p. no ano. 
 
O crescimento dos empréstimos às famílias foi impulsionado, em grande parte, pelas 
modalidades de financiamento imobiliário e crédito rural, no segmento de crédito 
direcionado, e crédito consignado e cartão de crédito à vista no de recursos livres. Há 
que se destacar também o aumento nos saldos do cartão de crédito rotativo e do 
crédito renegociado, evidenciando dificuldade das famílias com os compromissos 
financeiros ao longo do ano. A desaceleração no ritmo de crescimento em relação a 
2021, por sua vez, decorreu principalmente do arrefecimento na expansão do crédito 
pessoal não consignado e do cartão de crédito à vista. 
 
A expansão do crédito às empresas em 2022 foi marcada pela desaceleração no 
crédito livre e pelo crescimento no direcionado. Nesse sentido, destaca-se o 
arrefecimento na expansão das operações de desconto de recebíveis, nas operações 
com recursos livres, e o crescimento dos financiamentos do crédito rural e do BNDES, 
assim como a retomada das operações de Pronampe e PEAC no crédito direcionado. O 
saldo dos empréstimos a micro, pequenas e médias empresas cresceu 15,6%, 
ligeiramente inferior ao registrado em 2021 (17,5%), enquanto o voltado para grandes 
empresas aumentou 3,6% (variação de 5,1% em 2021). 
 
O Indicador de Custo de Crédito (ICC), média do custo de toda a carteira do sistema 
financeiro, situou-se em 21,5% a.a. ao final de 2022, o que significou aumento de 3,2 
p.p. no ano, após alta de 1,6 p.p. em 2021. 
As taxas de juros das novas operações de crédito mantiveram a trajetória de alta 
iniciada em 2021, seguindo o ciclo de aperto da política monetária, que elevou a Meta 
Selic de 2,0% a.a. em fev/21 para 13,75% a.a. em ago/22. A taxa média de juros 
terminou o ano de 2022 em 30,1% a.a., avanço interanual de 5,5 p.p., após variação de 
6,2 p.p. em 2021. Considerando apenas operações com recursos livres,  a taxa média 
de juros cresceu 7,9 p.p. para 41,7%, reflexo do crescimento de 10,4 p.p. nas taxas dos 
empréstimos para as famílias e de 3,4 p.p. nos empréstimos para as empresas. 
O spread das taxas de juros das concessões de crédito situou-se em 19,3 p.p., 
apresentando incremento de 3,3 p.p. em 2022. As operações com recursos livres, por 
sua vez, viram o spread aumentar 5,1 p.p. para 28,7 p.p., resultado do crescimento do 
spread das operações PF (+ 7,5 p.p.) e PJ (+ 0,6 p.p.)  
A inadimplência da carteira de crédito do SFN subiu ao longo do ano, majoritariamente 
explicada pelo aumento nos atrasos no crédito livre a pessoas físicas. Ao final do ano 
observou-se alguma deterioração na carteira de crédito livre às empresas. A taxa de 
inadimplência atingiu 3,0% ao final de 2022, com variação interanual de 0,7 p.p.. No 
ano, ocorrem aumentos nos níveis de inadimplência dos empréstimos a pessoas físicas 
(+0,9 p.p.), principalmente nas modalidades de cartão de crédito rotativo e crédito 
pessoal não consignado, e a pessoas jurídicas (+0,4 p.p.), destacando-se as operações 
de capital de giro e financiamento a exportações. 
No Relatório de Inflação de dezembro de 2022, apresentou-se projeção de 
crescimento de 8,3% do saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro 
Nacional, com expansão de 8,6% no segmento de crédito livre e de 8,0% no segmento 
de crédito direcionado. Cabe notar que a projeção deve ser atualizada no próximo 
Relatório de Inflação, a ser divulgado na última semana de março. 
Os indicadores do setor externo em 2022 refletiram preços de exportações e 
importações em patamar ainda alto, apesar da queda no segundo semestre, e a conta 
de transportes ainda afetada pelo alto preço do petróleo. Como percentual do PIB, o 
deficit em transações correntes atingiu, em 2022, 2,9%, correspondente a US$56 
bilhões, ligeiramente maior que os 2,8% de 2021. Em linhas gerais, a aparente 
estabilidade do deficit se deve ao aumento das despesas com serviços parcialmente 
compensado por maior superavit da balança comercial.  

                            

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