DOMCE 21/08/2023 - Diario Oficial dos Municipios do Ceara
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Ceará , 21 de Agosto de 2023 • Diário Oficial dos Municípios do Estado do Ceará • ANO XIV | Nº 3276
Segundo Souza et al (2011), as tentativas de suicídio e comportamentos suicidas podem ser definidos como ações propositadas de autoagressão que não resultam em morte, abrangendo desde atos mais simples como autolesões como também em casos mais graves em que são necessárias hospitalizações.
O limite entre lesão autoprovocada, ideação suicida (quando existem pensamentos que estimulam o desejo de acabar com a própria vida), comportamento suicida (conduta da pessoa que busca se matar) e o suicídio consumado é tênue, uma vez que o quadro mental pode evoluir com angústias e ansiedades extremas culminando na morte de fato. Contudo, é importante ressaltar que nem todo pensamento sobre morte necessariamente vai ocasionar o suicídio. Conforme os estudos realizados, o número de suicídios por impulso é relativamente menor, tendo a morte auto infligida as características de ser pensada, preparada e antecedida por tentativas (BAHIA et al, 2017).
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (2014), para cada suicídio, existem muito mais pessoas que realizam tentativas a cada ano, evidenciando a tentativa prévia como o fator de risco mais importante para o suicídio na população em geral. Outros fatores associados ao risco são: baixa escolaridade, pobreza, viuvez, perda de uma pessoa querida, separação afetiva, desentendimentos com familiares ou amigos, religião, problemas legais, desemprego, dentre outros. Podem contribuir ainda para o suicídio o uso abusivo de álcool e outras drogas, violência física e/ou sexual na infância ou adolescência, isolamento social, baixo suporte social e familiar, histórico de tratamento psiquiátrico e distúrbios psíquicos como depressão e esquizofrenia (SOUZA et al, 2011).
Trata-se, portanto, de um ato resultante de uma complexa interação de fatores que vão desde aspectos biológicos, genéticos e psicológicos até elementos sociais, culturais e ambientais. Cada suicídio afeta uma rede de familiares e pessoas próximas ao suicida gerando sofrimento e muitas vezes resultando em sofrimento psicológico (OMS, 2000).
No que diz respeito à realidade brasileira e à posição do Brasil no ranking de números totais de suicídio, Penso e Sena (2020) nos trazem que o país ocupa a oitava posição no mundo, mas enfatizam a subnotificação que acontece quando os casos chegam aos hospitais, em razão da omissão social em relação ao suicídio. Os autores evidenciam
ainda, que na faixa etária de 15 a 29 anos, o suicídio é a segunda principal causa de morte, perdendo apenas para mortes em decorrência da violência. Para a OMS (2001), os suicídios podem ser evitados em tempo oportuno, baseando-se em evidências que resultem em intervenções importantes, empenhando-se diversas políticas em ações intersetoriais visando a prevenção e promoção da saúde mental. Podem-se incluir ainda, intervenções de posvenção, direcionadas a familiares, amigos e círculo social de pessoas que cometeram suicídio, visando a elaboração do luto e alívio do sofrimento.
4.1 INCIDÊNCIA DE SUICÍDIO – PANORAMA NACIONAL, ESTADUAL E MUNICIPAL
De acordo com a Nota Técnica de 26/10/2020, o Brasil registrou no ano de 2018 12.733 suicídios. Segundo Boletim Epidemiológico publicado pelo Ministério da Saúde no ano de 2017, entre os anos de2011 e 2016, foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) 176.226 casos de lesão autoprovocada. Dentre esse total, foram identificados 48.204 casos de tentativa de suicídio.
No Estado do Ceará, foram registados 627 suicídios no ano de 2019 e 352 no período de janeiro a agosto de 2020. Ainda segundo a Nota Técnica Estadual, é válido ressaltar que para cada suicídio consumado, existem muitas tentativas.
Observando a realidade municipal, com informações colhidas no SINAN, tem-se que no ano de 2019 foram notificados 10(dez) casos de violência interpessoal/autoprovocada, culminando em 04 (quatro) suicídios. No que diz respeito às faixas etárias, as notificações variam de 17 a 48 anos, sendo 03 do sexo feminino e 01 do sexo masculino.
No ano de 2020 foram notificados 33 (trinta e três) casos de violência interpessoal/ autoprovocada, culminando em 03 (três) suicídios. No que diz respeito às faixas etárias, as notificações variam de 21 a 65 anos, sendo todas do sexo masculino.
No ano de 2021 foram notificados 48 (quarenta e oito) casos de violência interpessoal/ autoprovocada, culminando em 03 (três) suicídios. No que diz respeito às faixas etárias, as notificações variam de 21 a 69 anos, sendo todos do sexo masculino.
No ano de 202 foram notificados 66 (sessenta e seis) casos de violência interpessoal/ autoprovocada, culminando em 02 (dois) suicídios. No que diz respeito às faixas etárias, as notificações variam de 53 a 63 anos, sendo do sexo masculino.
Percebe-se, portanto, um pequeno aumento na quantidade de casos e na extensão da faixa etária dos casos registrados. É importante ressaltar que tanto a violência autoprovocada quanto as tentativas de suicídio ainda são bastante subnotificadas em nossa realidade.
De acordo com as notificações, os tipos de violência autoprovocada abrangem desde a violência com objeto perfurocortante, envenamento, enforcamento, ingestão de medicamentos até o uso de força corporal.
Mediante os dados coletados percebe-se que, as tentativas de suicídio ocorrem em sua grande maioria por mulheres adolescentes ou jovens adultas, sendo que os suicídios se dão pelo gênero masculino por jovens adultos.
• PLANO DE AÇÃO MUNICIPAL DE PREVENÇÃO E PÓSVENÇÃO AO SUICÍDIO
| OBJETIVO | AÇÕES | META | PÚBLICO-ALVO | RESULTADO ESPERADO |
|---|---|---|---|---|
| Organizar a rede para sensibilização acerca da importância de se discutir o tema intersetorialmente |
Pactuação Intersetorial do Plano Municipal de Prevenção e Pósvenção ao suicídio, com representantes das Secretarias Municipais de Saúde, Educação e Assitência Social sob Coordenação da Articulação do Selo Unicef Municipal. |
Pactuação realizada com gestores e representantes para melhor consolidação do Plano, acompanhamento e avaliação contínua dos resultados esperados. (06 meses) |
Representantes das Secretarias Municipais de Saúde, Educação e Assistência Social, com participação, quando necessárias, de outros dispositivos municipais. |
Comitê atuando e acompanhando as discussões e ações geradas a partir do Plano Municipal. |
| Capacitar profissionais vinculados à rede para serem multiplicadores junto aos diversos atores sociais. |
- Realização de capacitação acerca da temática, de forma que o conhecimento sobre o tema se dissemine e prepare os profissionais para o acolhimento das demandas que surgirem. - Comunicação contínua sobre o tema, abordando as mais diversas perspectivas (familiares, educacionais, sociais, de saúde mental, etc); - Criação e divulgação de material informativo para os profissionais acerca da temática para auxiliar em possíveis intervenções. |
Profissionais capacitados e com bagagem teórica para atuar junto aos casos que venham a surgir. ( 06 meses) |
- Secretaria de Saúde: Equipes das Unidades Básicas de Saúde; - Secretaria de Assistência Social: Orientadores Sociais, Técnicas do PAIF, Conselho Tutelar e Técnicas da Proteção Social Especial (PSE); - Secretaria de Educação: Equipes Escolares e Formadores. |
Profissionais habilitados para lidar com o indivíduo/ família sujeitos a cometerem o suicídio |
| Sensibilizar a sociedade civil sobre os cuidados em saúde mental. |
- Panfletagem a favor do cuidado em saúde mental; - Informativo online informativa acerca da saúde mental e suicídio; - Possibilidade de atendimento psicológico nas Unidades Básicas de Saúde, descentralizando o cuidado em saúde mental epossibilitando o acesso dapopulação da zona rural. |
Possibilitar o reconhecimento da sociedade sobre a questão do cuidado em saúde mental e do suicídio. (06 meses) Desmistificar o cuidado em saúde mental e os preconceitos atrelados ao tema. (06 meses) |
População em geral. |
População mais consciente e orientada sobre os temas propostos. |
| Sensibilizar a sociedade civil sobre os cuidados em saúde mental. |
- Panfletagem a favor do cuidado em saúde mental; - Informativo online informativa acerca da saúde mental e suicídio; - Possibilidade de atendimento psicológico nas Unidades Básicas de Saúde, descentralizando o cuidado em saúde mental epossibilitando o acesso dapopulação da zona rural. |
Possibilitar o reconhecimento da sociedade sobre a questão do cuidado em saúde mental e do suicídio. (06 meses) Desmistificar o cuidado em saúde mental e os preconceitos atrelados ao tema. (06 meses) |
População em geral. |
População mais consciente e orientada sobre os temas propostos. |
| Monitorar casos de automutilação para que não evoluam para possíveis tentativas de suicídio. |
Realizar acompanhamento psicológico e médico, se necessário, para acolher as demandas de violência autoprovocada do município. |
Ofertar espaço de fala e compreensão dos fatores que levam à violência autoprovocada; (06 meses) Oportunizar acesso ao atendimento psicológico, enfatizando a importância do |
Pessoas que praticam automutilação, com ou sem tentativas prévias de suicídio; Pessoas com ideação suicida; |
Diminuição no índice de automutilação; Diminuição das tentativas de suicídio no município. |
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