DOU 08/01/2024 - Diário Oficial da União - Brasil
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Entre os tapetes e outros revestimentos para pisos (pavimentos), de matérias têxteis, incluídos nesta posição, citam-se os seguintes:
1) Os tapetes de moqueta e semelhantes, que têm uma base resistente, oculta, seja por uma superfície “felpuda”, isto é, formada por justaposição de felpas levantadas, seja por uma
superfície formada por anéis.
A superfície destes tapetes é produzida por fios suplementares de urdidura (“fios de felpa”), mais longos do que os outros fios de urdidura e que, durante a tecelagem, formam anéis no
lado direito do tecido com interposição provisória de varetas metálicas (ferros). Quando se cortam os anéis, de maneira a formar felpas, obtêm-se os tapetes “felpudos” (tal como os
tapetes Wilton, Fig. 4); nesta espécie de tapetes, os fios de felpa passam simplesmente sem dar a volta, sob os fios da trama; se, pelo contrário, os anéis não são cortados, os tapetes
denominam-se “anelados” ou épinglés (Fig. 4 e 5).
––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––– cortado
anelado Fig. 4
Fig. 5 Estes tapetes podem ser lisos ou apresentar motivos, motivos estes que são tecidos em tear equipado com dispositivos que permitem obter um desenho por intermédio de dois a cinco fios de cores diferentes (tear Jacquard, por exemplo). Podem, igualmente, ser fabricados tecendo-se face a face dois tecidos que possuam urdidura suplementar comum unindo um ao outro. Esta urdidura, depois de cortada, permite obter simultaneamente dois tapetes felpudos. Estes tapetes são, correntemente, denominados Wilton face a face. A sua parte felpuda ou anelada é geralmente de lã ou de mescla de lã e náilon; pode também ser de algodão, poliamida, acrílico, viscose ou de uma mescla destas fibras. A base é geralmente de algodão, juta ou polipropileno. 2) Os tapetes Axminster. São tapetes de fabricação mecânica, nos quais as fieiras de felpas sucessivas são inseridas no sentido da trama, durante a tecelagem, conforme um desenho colorido preestabelecido. 3) Os tapetes de froco (chenille). A sua característica principal reside no fato de a sua superfície felpuda ser produzida por fios de froco (chenille) (fios descritos na Nota Explicativa da posição 56.06). Estes fios podem utilizar-se como trama suplementar, mas podem também ser introduzidos no sentido da urdidura fragmento a fragmento, fixados à base do tapete por processos especiais de tecelagem. 4) Os tapetes de superfície lisa (não felpuda, nem anelada). Distinguem-se dos tecidos dos Capítulos 50 a 55 pelo fato de serem bastante pesados e resistentes, destinando-se manifestamente a cobrir pisos (pavimentos). Entre eles alguns são belos tapetes residenciais: é o caso dos tapetes Kidderminster e dos tapetes denominados “belgas”, constituídos por tecidos duplos, nos quais o desenho provém do entrelaçamento, de espaço a espaço, dos fios que formam os dois tecidos que os compõem. Outros são de tecidos grosseiros, fabricados com fios de pelos grosseiros, de juta, cairo (fibra de coco) ou papel, em pontos de tafetá, sarjado ou espinha de peixe, etc. Os tapetes grosseiros, de urdidura constituída por fios de juta, por exemplo, e a trama por fitas, obtidas por corte de desperdícios de tecidos e unidas umas às outras pelas extremidades, também pertencem a esta categoria de tapetes. 5) Os capachos e as esteiras. Estes tapetes são essencialmente formados por tufos rígidos, geralmente de fibras de cairo (fibra de coco) ou fibras de sisal, que passam sob os fios de urdidura da base. Fabricam-se nas dimensões reduzidas que a sua aplicação exige. 6) Tapetes de banho, de tecidos atoalhados (turcos) e semelhantes. Deve notar-se que certos tapetes se obtêm de maneira análoga à uma grande quantidade de veludos, pelúcias, tecidos anelados pela urdidura ou de tecidos de froco (chenille), da posição 58.01, mas, sendo essencialmente concebidos para cobrir pisos (pavimentos), podem distinguir-se facilmente pela sua solidez, pela natureza mais grosseira dos materiais utilizados na sua fabricação ou pela maior rigidez da sua base, que, em geral, tem uma urdidura suplementar de fibras duras denominadas urdidura de estofamento. 7) Os tapetes denominados Kelim ou Kilim, Schumacks ou Soumak, Karamanie e tapetes semelhantes, tecidos à mão. O Kilim (ou Kelim), também denominado Karamanie, obtém-se pelo mesmo processo de fabricação das tapeçarias tecidas à mão, descritas na Nota Explicativa da posição 58.05, parte A. A sua textura é comparável à das referidas tapeçarias e possui geralmente as mesmas fendas, no sentido da urdidura. Todavia, no que respeita ao desenho, o Kilim geralmente não apresenta flores nem folhagem, mas principalmente motivos geométricos retilíneos. Se bem que se possa distinguir o direito do avesso, a diferença entre as duas faces é tão pequena que podem ser utilizados indiferentemente dos dois lados. O Kilim é, por vezes, constituído por duas longas tiras costuradas uma à outra, o desenho sendo realizado de tal forma que não se vê a costura. É por esta razão que não possui bainhas tecidas, a não ser no sentido da largura, ou mesmo nenhuma. Isto não exclui, evidentemente, a presença de bainhas aplicadas. Em geral, a urdidura do Kilim é de lã e a trama de lã ou de algodão. Incluem-se, também, nesta posição os artigos fabricados com a técnica do Kilim (particularmente na Europa Central) e que apresentam, por outro lado, motivos decorativos do mesmo gênero do dos Kilim leves orientais. Tecido como o Kilim, o Soumak apresenta em relação a este as seguintes diferenças: – logo que uma ou duas linhas de trama formando desenho estão inteiramente terminadas, é inserida uma trama suplementar ao longo de toda a largura da peça, o que exclui a presença de fendas no sentido dos fios de urdidura; – no que respeita ao desenho decorativo, o fundo é, geralmente, ornamentado com três a cinco estrelas achatadas, com motivos multicolores, parecendo medalhões, a cercadura compõe-se, em geral, de uma tira larga principal e de duas a três tiras secundárias. O avesso apresenta um aspecto felpudo devido às pontas dos fios com comprimento de vários centímetros, que subsistem após o corte dos fios de trama. A trama do Soumak é de lã, enquanto a urdidura pode ser de lã ou de algodão, ou mesmo de pelo de cabra. Entre os tapetes semelhantes, pode citar-se particularmente o Sileh, cujo método de fabricação é semelhante ao do Soumak. O desenho do Sileh apresenta essencialmente motivos em S, direitos ou invertidos e motivos derivados de figuras de animais, espalhados por toda a superfície. A urdidura e a trama do Sileh são de lã (a urdidura é, raras vezes, de algodão). Os capachos e esteiras grosseiros de matérias para entrançar classificam-se no Capítulo 46.