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Diário Oficial do Estado do Ceará · 11/06/2026 · pág. 11

DOE 11/06/2026 - Diario Oficial do Estado do Ceara - Caderno 2

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TEXTO OFICIAL · ÍNTEGRA

DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO | SÉRIE 3 | ANO XVIII Nº104 | FORTALEZA, 11 DE JUNHO DE 2026

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● Realização de exames complementares especializados para esclarecimento diagnóstico (ultrassonografia abdominal, ultrassonografia pélvica transvaginal e de vias urinárias com preparo intestinal) em pacientes refratárias ao tratamento clínico, com piora dos sintomas ou em investigação de infertilidade sem causa aparente;

● Diagnóstico dos casos com indicação para procedimento cirúrgico e encaminhamento da demanda por meio da regulação. 3.3 Atenção Terciária Compete à Atenção Terciária:

● Tratamento clínico, quando não disponível na Atenção Especializada;

● Realização de cirurgias, quando necessário e/ou apresentar maior risco à saúde.

3.4 Critérios para o encaminhamento por Nível de Atenção à Saúde

Quadro 1: Condições clínicas que devem ser conduzidas para atendimento

CONDIÇÕES CLÍNICAS QUE DEVEM SER CONDUZIDAS PARA A ATENÇÃO
ESPECIALIZADA(AE)
CONDIÇÕES CLÍNICAS QUE DEVEM SER CONDUZIDAS PARA A UNIDADE
TERCIÁRIA
I. Mulheres que não possuem indicação para cirurgia ou que estejam em tratamento com DIU hormonal;
II. Casos em seguimento pós-cirúrgico;
I. Casos que demandam métodos diagnósticos e/ou terapêuticos especializados não disponíveis na AE;
II. Mulheres acompanhadas na AE que não apresentaram resposta clínica satisfatória;
III. Condições associadas a sintomas e sinais de alerta;
IV. Mulheres com diagnóstico clínico submetidas ao tratamento inicial na Atenção Primária à Saúde (APS)
que não apresentam resposta clínica satisfatória;
III. Mulheres com suspeita de endometriose com sinais clínicos de doença profunda e achados
ultrassonográficos sugestivos de tumor anexial ou comprometimento de vísceras abdominais e/ou
pélvicas (intestino, bexiga, ureter, entre outros);
V. Mulheres com suspeita de endometriose e sinais clínicos de doença profunda, SEM achados ultrassonográficos
sugestivos de tumor anexial ou comprometimento de vísceras abdomino-pélvicas (intestino, bexiga, ureter);
IV. Mulheres com suspeita de endometriose que não respondem ao tratamento com anti-inflamatórios
não esteroides (AINEs), contraceptivos hormonais ou outras medicações;
VI. Mulheres com diagnóstico de distúrbios psicológicos significativos; V. Mulheres com suspeita de dor com origem na parede abdominal ou no períneo (incluindo a região
VII. Casos com diagnóstico já elaborado, mas que apresentam sinais de alerta, como endometrioma ovariano
identificado por ultrassom transvaginal é confirmado após 3 a 6 meses de tratamento com anticoncepcionais;
vulvar), sem resposta ao tratamento inicial.
VIII. Presença de sinais ou sintomas sugestivos de endometriose profunda, como dor à evacuação, sangramento
intestinalperimenstrual,dorglútea, perineal e/ou ciática significativa associada.

As informações sobre o histórico da pessoa encaminhada é fundamental para que se tenha um diagnóstico e tratamento mais assertivo. Para tanto, toda paciente encaminhada deverá levar junto:

4.1 Avaliação Clínica A avaliação clínica na Atenção Primária é um passo primordial para o diagnóstico e tratamento da endometriose para determinar os grupos de maior ou menor risco para tratar a doença. I. Acolhimento e escuta qualificada: trata-se de uma coleta cuidadosa de informações sobre o histórico familiar das mulheres e história individual, quanto às cólicas menstruais, dores pélvicas e preocupações relacionadas à infertilidade. Recomenda-se identificar presença de sintomas recorrentes no período menstrual (como alterações no intestino, urina, dores em outras partes do corpo, enxaquecas, vômitos, desmaios), acolhendo os receios e anseios da vida sexual e da saúde reprodutiva das mulheres.

II. Anamnese ginecológica: avaliação do histórico detalhado dos sintomas, como: pontos dolorosos abdominais e pélvicos ou outro desconforto; queixa de dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia, infertilidade (vide Quadro 3), história ginecológica e obstétrica (paridade, menarca, sexarca, orientação sexual, data da última gestação, ciclos menstruais, fluxo, dismenorreia). Ressalta-se que, para considerar a possibilidade da endometriose, não há necessidade estrita da presença de todos os sintomas, entretanto, a presença de alguns deles já orienta ao diagnóstico e conduta inicial. III. História pregressa da doença: caracterizar cronologicamente a sequência dos eventos que trouxeram ao quadro atual. Relatos de quadros infecciosos anteriores, infecções sexualmente transmissíveis prévias, sintomas sutis com pouca dor, sem febre e corrimento discreto que podem persistir após quadro infeccioso inicial mais importante.

Quadro 2: Sintomas comuns apresentados pelas mulheres com endometriose durante a idade reprodutiva.

Mais frequentes
▪ Dismenorreia de caráter progressivo;
▪Dispareunia: os implantes são preferencialmente peritoneais ou lesões profundas. Caso as lesões estejam situadas no colo, hímen, períneo
e cicatrizes de episiotomia, a dispareunia esperada é de entrada;
▪ Dor pélvica de caráter crônico e descrita como latejante e/ou em queimação; Todos esses sintomas podem ocorrer isolados ou concomitantes,
associando uma maior probabilidade do diagnóstico de endometriose com uma maior combinação de manifestações clínicas simultaneamente.
Menos frequentes e comumente associados à doença profunda
▪ Dor glútea, perineal e/ou ciática significativa;
▪ Alterações urinárias cíclicas: quando o tecido endometrial acomete estruturas como bexiga e ureteres, pode causar sintomas de disúria,
polaciúria, hematúria e urgência miccional no período menstrual;
▪ Disquesia: quando acomete o trato gastrointestinal pode apresentar desconforto intestinal, dor à evacuação, distensão abdominal, constipação,
sangramento intestinal, mobilidade uterina reduzida e/ou nódulos retro cervicais ou em septo reto vaginal;
▪ Dores abdominais e massas abdominais dolorosas indicam que os implantes endometrióticos ocorrem na parede abdominal, podendo se
relacionar ciclicamente com a menstruação ou se apresentar de forma contínua.
Quadro 3: Principais sintomas/queixas relacionados à endometriose.
Doença dos 6 D’s
▪ Dismenorréia intensa
▪ Dispareunia
▪ Dor Pélvica Crônica
▪ Disquezia menstrual
▪ Disúria menstrual
▪ Dificuldade de engravidar
Fonte: Chapron, C. et al. Rethinking mechanisms, diagnosis and management of endometriosis. 2019 Nov;15(11):666-682
Quadro 4: Quadro para anamnese Clínica da Endometriose.
História da dor
▪ Dismenorréia intensa
▪ Dor pélvica crônica
▪ Dispareunia profunda
▪ Disquesia menstrual
▪ Disúria menstrual
História menstrual
▪ Menarca precoce
▪ Polimenorréia
▪ Menorragia
▪ Hematoquesia
▪ Hematúria menstruais
Saúde Reprodutiva
▪ Faixa etária reprodutiva
▪ Nuliparidade
▪ Infertilidade
▪ Dor após interrupção do Anticoncepcional oral
Exame ginecológico
▪ Útero retrovertido com fixação

▪ Massa pélvica retro uterina ou anexial com fixação
▪ Nódulos ou espessamentos no fundo de saco
▪ Hiperalgesia (pontos gatilhos) no fundo de saco
Diagnóstico diferencial
▪ Síndrome do intestino irritável