DOEAM 17/06/2026 - Diario Oficial do Estado do Amazonas - Tipo 1
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PUBLICAÇÕES DIVERSAS| DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO DO AMAZONAS
8 Manaus, quarta-feira, 17 de junho de 2026
do Beijú, na aldeia Biribá, e a Festa da Castanha, na aldeia Terra Preta do Uruá. A boa saúde é uma das principais preocupações dos habitantes da TI Curara. Os Mura afirmam que existem distintos seres ou espíritos, em especial cobras grandes, botos e curupiras, que cuidam de lugares especiais e dos quais dependem animais de caça e peixes. Estes seres, que são perigosos e podem causar doenças e mortes se não são tratados com respeito, são “espíritos donos” ou pais e mães dos peixes e animais, protetores e cuidadores das espécies. Por esta razão, os Mura da TI Curara diferenciam seu lugar de moradia, a beira, da cidade, do centro da mata e do fundo do rio, locais onde habitam outros seres que trazem perigos. A toponímia local expressa um conhecimento detalhado de toda a bacia do rio Mataurá e detalha os cemitérios, os pontos de residência de curupiras, cobras grandes e outros seres encantados que são donos e protetores dos seres do mato e do mundo aquático, e de sítios arqueológicos (antigas aldeias), como terras pretas, lugares com urnas funerárias, trincheiras e antigos currais de pesca, e os castanhais. A toponímia do território tradicionalmente ocupado demonstra a longa habitação permanente dos Mura da TI Curara e tem a função primordial de conectar as gerações passadas com as presentes e as futuras, constituindo o marco da sua reprodução física e cultural. VI – LEVANTAMENTO FUNDIÁRIO A ocupação colonial do médio rio Madeira iniciou-se no final do século XVII, mas se fez mais intensa nas décadas de 1860 e 1870 com o início da exploração da borracha, quando, impulsionado pelo negócio, chegou um grande contingente de nordestinos na região. A exploração da borracha levou rapidamente à apropriação abusiva dos seringais e das terras indígenas, auspiciadas pelas autoridades da Província do Amazonas, assim como a instauração do sistema de aviamento. Os Mura ficaram confinados em pequenas porções dos seus territórios, sem conseguir movimentar-se livremente, enquanto crescia a população externa. Com o declínio da borracha na década de 1910, a exploração da castanha se converteu no principal produto extrativista da região, gerando insatisfação e confronto com os indígenas pela apropriação indevida dos seus castanhais. A partir de 1950 e com as políticas estatais de 1970 para o povoamento da Amazônia, a população não indígena cresceu vertiginosamente na região e se seguiram vários auges extrativistas curtos como a sorva, as peles de animais, a copaíba, o pau rosa, etc., levando a um ápice extrativista de madeira nas décadas de 1990 e 2000. Ao longo da segunda metade do século XX, a usurpação das terras do território tradicionalmente ocupado aumentou. Os empreendimentos comerciais cresceram no município e aumentou o desmatamento no entorno da cidade de Manicoré para dar origem a pequenas e grandes fazendas com produção agropecuária. Atualmente, a Terra Indígena Curara presenta um quadro fundiário complexo, marcado pela incidência de unidades de conservação, terras públicas sem destinação, imóveis rurais registrados em bases oficiais e ocupações não indígenas identificadas em campo. No conjunto, cerca de 197.918 hectares (22,67%) da terra indígena encontram-se sobrepostos por unidades de conservação. A Flona do Aripuanã, criada em maio de 2016, sobrepõe-se a 92.662 hectares (10,6%) e REBio do Manicoré, também criada em maio de 2016, sobrepõe-se a 105.255 hectares (12%) da terra indígena. Além das unidades de conservação, verificou-se que cerca de 29,6% da terra indígena está sobreposta por glebas estaduais sem destinação – Felicidade, Marmelos Atininga e Mundo Novo, classificadas como do tipo B. No que se refere a imóveis privados, no SIGEF foram identificados 63 imóveis rurais incidentes na área, representando 48,36% da superfície da terra indígena. No SICAR foram identificados 208 imóveis rurais cadastrados. Durante o trabalho de campo, foram registradas 18 ocupações não indígenas, localizadas principalmente nas calhas dos rios Mataurá e Uruá. A maioria (10) apresenta caráter provisório e sazonal, vinculada ao ciclo da castanha, embora também tenham sido encontradas ocupações permanentes (6), associadas a núcleos familiares residentes e outras 2 ocupações sem informação quanto ao tipo. Abaixo o quadro de ocupantes não indígenas identificados no perímetro da TI Curara. O quadro de ocupantes não indígenas apresentado não é exaustivo. Os nomes relacionados, portanto, não implicam prejuízo de qualquer particular que, eventualmente, tenha interesse em oferecer, na forma da Lei, contestação administrativa ao processo demarcatório.
| N° de Ordem |
Nome do ocupante | Nome do imóvel | Município |
|---|---|---|---|
| 001 | Ozimar Gonçalves Menezes | Curralinho do Mataurá | Manicoré |
| 002 | Edelcimar Pereira de Oliveira | Biribá | Manicoré |
| 003 | Alderico Chaves Campos (SICAR) Conhecido como Santinho (família dos Campos) |
Fazenda Aranha e/ou São Sebastião |
Manicoré |
| 004 | Jair Oliveira da Rocha | Biribá | Manicoré |
|---|---|---|---|
| 005 | Conhecido com Caveira (Tatu/ Nunes) |
Terra Preta | Manicoré |
| 006 | Luís Ferreira da Rocha | Beribá | Manicoré |
| 007 | Alexandre (conhecido como Botinho da família Pavão) |
Prainha | Manicoré |
| 008 | Conhecido como Adonias | Terra Preta | Manicoré |
| 009 | Leilane Chagas Bezerra | Beribá | Manicoré |
| 010 | Raimundo Nilton Campos Dos Santos |
Lugar Cinco Porco e/ ou São Jorge |
Manicoré |
| 011 | Miguel Pinheiro Leite | São Gabriel | Manicoré |
| 012 | Nivaldo Leal das Neves | Lugar Espirito Santo | Manicoré |
| 013 | Lamir da Rocha | Compasso | Manicoré |
| 014 | Ardívio da Conceição | Cotovelo | Manicoré |
| 015 | Espólio de Raimundo dos Santos (flho conhecido com encarnado)- Raimundo Veiga Dos Santos (SICAR) |
Areia Branca | Manicoré |
| 016 | Dilmo de Freitas Oliveira | Boa Esperança | Manicoré |
| 017 | Denilzon de Oliveira | Boa Esperança | Manicoré |
| 018 | Rafael de Oliveira | Boa Esperança | Manicoré |
| 019 | Cleomirton Ramos Da Gama | Lugar Brebi | Manicoré |
| 020 | Valcinei Oliveira da Silva | São Pedro Do Mataura |
Manicoré |
| 021 | Francisco Medeiros da Conceição |
Lugar Bom Futuro (Antiga Aliança) |
Manicoré |
| 022 023 |
Nivaldo Leal das Neves Raimundo Do Rosario Vasconcelos |
Lugar Nova Vida e/ou Lugar João André Lugar Tres Jacu |
Manicoré Manicoré |
| 024 | Djanira Vieira Mar | Fazenda Iguaçu - II | Manicoré |
| 025 | Raimunda Pereira Gomes | Taiaçu | Manicoré |
| 026 | Adaldino Da Paixao Veiga Dos Santos |
Areia Branca |
Manicoré |
| 027 | Aderson Veiga Dos Santos | Areia Branca | Manicoré |
| 028 | Aniraldo Veiga Dos Santos | Areia Branca | Manicoré |
| 029 | Anivaldo Veiga Dos Santos | Areia Branca | Manicoré |
| parcela sem proprietário | |||
| 030 | (SIGEF) Marilza Pereira De Holanda (SICAR) |
Fazenda Acaraú | Novo Aripuanã |
| 031 | Maria Lúcia Souza da Silva | Fazenda Pajurá - Área 01 |
Manicoré |
| 032 | Rodrigo De Alencar Maia | Paulista II | Manicoré |
| 033 | Maria Lúcia Souza da Silva | Fazenda Pajurá - Área 19 |
Manicoré |
| 034 | Joao Pinheiro Taumaturgo | Fazenda Nova Empreza III |
Manicoré |
| 035 | Ndd Telecom Serviços De Comunicações Ltda |
Fazenda Anta Gorda II |
Novo Aripuanã |
| 036 | José Irandir Neves Amaral | Lagoa Grande | Manicoré |
| 037 | Amilton Rufno Da Silva | Seringal Tracoá | Manicoré |
| 038 | Maria Lúcia Souza da Silva | Fazenda Pajurá - Área 16 |
Manicoré |
VÁLIDO SOMENTE COM AUTENTICAÇÃO