DOCSP 15/09/2026 - Diario Oficial da Cidade de Sao Paulo - Edicao 234
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TEXTO OFICIAL · ÍNTEGRA
terça-feira, 15 de setembro de 2026
204 – São Paulo, 71 (234)────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────terça-feira, 15 de setembro de 2026
Estrutura espacial proposta: a praça é organizada como conjunto de praças articuladas por um "tapete urbano" contínuo que unifica o piso, com destaque para: Praça das Águas (em frente ao trecho hoje ocupado pela Faria Lima), Praça das Árvores (em torno da árvore monumental), Praça do Mercado (com área que o Mercado de Pinheiros pode explorar) e o disco central de infraestrutura e conexão. Prevê-se a permanência de todos os grupos e usos já existentes na praça, com espaço para novos usos.
Fundamentação: o arquiteto registrou a leitura de que as cidades brasileiras, e São Paulo em particular, foram construídas para os automóveis, e que o Largo da Batata representa uma oportunidade de demonstrar um modelo alternativo de cidade — caminhável, esponja, arborizada e em harmonia com a natureza —, retomando a referência ao Rio Pinheiros e à toponímia originária do rio Jurubatuba — a conferir.
Ressalva técnica. Foi expressamente registrado que a solução do túnel ainda não está confirmada: trata-se de premissa que viabiliza a integração entre as praças e os equipamentos, e sua confirmação depende dos resultados da sondagem e dos estudos de solo, ainda não concluídos.
10. Manifestações do plenário sobre o Largo da Batata 10.1 Celso Casé — conselheiroConsiderou as premissas do projeto interessantes, mas apontou a ausência da dimensão social. Destacou que a praça é usada por diferentes grupos, incluindo população em situação de rua, que deve ser acolhida sem soluções hostis. Alertou para risco de gentrificação e afastamento de vulneráveis, prática recorrente nas cidades, com impactos inclusive na segurança pública. Solicitou a inclusão de banheiros — podendo ser modelo pago, desde que acessível — e lembrou que o Largo concentra trabalhadores de aplicativo, hoje sem infraestrutura básica, que também precisam ser contemplados no projeto.
10.2 Laurita Salles— conselheira do CPM-
Registrou que o CPM já solicitou formalmente, por meio de seu Grupo de Trabalho (GT Largo da Batata, dentro do CPM-PI), a realização de escuta ampliada sobre o projeto;
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Ressaltou que é papel do CPM articular os diversos conselhos — citando conselhos de idosos e de pessoas com deficiência — e que a consulta pública realizada no Participe Mais não alcançou parte significativa da população afetada, incluindo trabalhadores de aplicativo e população em situação de rua;
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Informou que elaborou listagem de segmentos e associações que precisariam ser ouvidos, incluindo associações de motociclistas identificadas em pesquisa própria;
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Registrou a necessidade de ouvir a população em situação de rua e de considerar a proximidade de equipamento de acolhimento;
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Sugeriu a criação de pontos de apoio para trabalhadores de aplicativo — com banheiro, descanso e estacionamento de motocicletas;
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Ressaltou a urgência do encaminhamento: a escuta precisa ocorrer antes do avanço do projeto, sob pena de perda da janela de incorporação;
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Elogiou a receptividade do Instituto Idea, que a recebeu e apresentou o material quando procurou a organização diretamente.
10.3 Marcos Pedoti — munícipe Apresentou três pontos:
1. Viabilização financeira do projeto, dada a escala do investimento;-
Articulação com a Linha 20-Rosa: o rebaixamento da Faria Lima em túnel pode representar simultaneamente um risco e uma oportunidade para o traçado pela Faria Lima, inclusive porque endereçaria as dificuldades de solo alegadas pelo Metrô — o que deveria ser considerado no projeto e articulado com o operador;
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Risco de apropriação do espaço pelas classes de maior renda, com verticalização acelerada no entorno do Largo — razão pela qual o projeto precisa estar vinculado ao Plano de Bairro.
Carla Nieto Vidal registrou que houve escuta prévia no Participe Mais, mas que o CPM fez uma análise crítica dessa escuta e apontou uma série de demandas não contempladas — sendo os pontos trazidos por Casé e por Laurita exatamente dessa natureza. Ofereceu-se para reenviar o material da análise aos responsáveis pelo projeto e sugerir formalmente nova escuta, registrando que o processo de escuta não se encerrou no Participe Mais e que esta reunião constitui mais uma etapa — reiterando, contudo, que a reunião não é audiência pública, e sim reunião de trabalho.
- Respostas da SP Urbanismo às manifestações sobre o Largo da Batata Pedro Martin Fernandes respondeu aos pontos levantados:
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Arquitetura hostil: não há no projeto nenhum elemento que remeta a arquitetura hostil — trata-se de premissa assumida.
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População em situação de rua: registrou que a pretensão da gestão é que não haja pessoas em situação de rua, no Largo da Batata e na cidade, mediante política de assistência social conduzida em paralelo, e que não se projeta para a permanência dessa situação. Ressalvou, contudo, que eventuais moradores de rua não podem ser impedidos de sentar ou permanecer, e citou o concurso de mobiliário urbano recentemente realizado pela SP Urbanismo, do qual participou a Comissão Permanente de Acessibilidade, tendo essa premissa como requisito básico.
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Trabalhadores de aplicativo: informou que a Prefeitura de São Paulo entregou neste ano um espaço-piloto para motoboys (Espaço Motoboy), na Avenida Paulista com a Rua Doutor Arnaldo, junto ao viaduto — em sua avaliação, o melhor equipamento do gênero no país, muito superior aos espaços construídos por empresas de aplicativo, em geral mal conservados. O equipamento conta com espaço de descanso, internet, carregamento de celular, cozinha e micro-ondas. Foi executado com apoio da Secretaria das Subprefeituras e da AMLURB. Informou haver proposta, ainda não oficializada, de implantação de equipamento semelhante na região de Pinheiros, e um terceiro no Jurubatuba, próximo ao Shopping SP Market. Convidou os conselheiros a visitar o equipamento-piloto, comprometendo-se a incorporar ao projeto do Largo da Batata as melhorias que o Conselho identificar.
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Água e saneamento: confirmou a previsão de pontos de bebedouro e de banheiros, os primeiros em superfície e os segundos vinculados à infraestrutura subterrânea.
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Viabilização financeira: esclareceu que a intervenção foi incluída no prospecto de intervenções passíveis de custeio com recursos da Operação Urbana Faria Lima. Explicou que, para realizar leilão de CEPACs na bolsa de valores — procedimento acompanhado pela CVM —, é necessário declarar o conjunto de intervenções custeáveis, e que a nova etapa do Largo da Batata consta dessa lista. A prioridade do prospecto é Paraisópolis. Há aproximadamente 100.000 m² de potencial construtivo a ser vendido, o que indica capacidade de financiamento da intervenção com recursos da Operação Urbana.
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