DOMRO 30/09/2026 - Diario Oficial dos Municipios de Rondonia
Baixar página em PDF · Criar alerta deste tema
O visualizador interativo precisa de JavaScript — baixe a página original em PDF.
TEXTO OFICIAL · ÍNTEGRA
Rondônia , 30 de Setembro de 2026 • Diário Oficial dos Municípios do Estado de Rondônia • ANO XVIII | Nº 4330
combinação entre elevada despesa pública, necessidade de financiamento do governo e custo ainda elevado dos juros mantém o tema fiscal como elemento importante para a percepção de risco, para as taxas de juros de mercado e para o comportamento do câmbio.
No setor externo, o Brasil continua exposto às transformações do comércio internacional, principalmente em razão das medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos. Parte das exportações brasileiras passou a sofrer sobretaxas adicionais, aumentando os custos para determinados segmentos industriais e agropecuários e introduzindo maior incerteza para as empresas exportadoras. O governo brasileiro e autoridades norte-americanas mantiveram o diálogo comercial, enquanto foram adotadas medidas para auxiliar empresas afetadas, como a possibilidade de extensão de prazos relacionados ao regime de drawback. Paralelamente, o Brasil também avança na ampliação de seus acordos comerciais, com a implementação do acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA. Esse movimento reforça a importância da diversificação dos parceiros comerciais e da redução da dependência de determinados mercados em um momento de maior fragmentação do comércio mundial.
No cenário internacional, os Estados Unidos continuam exercendo papel central para os mercados financeiros. O Federal Reserve elevou recentemente sua taxa de juros para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, justificando a decisão pela permanência da inflação em níveis elevados, apesar da expansão da atividade econômica e da resiliência dos gastos domésticos. O banco central norte-americano também destacou a força dos investimentos e da produtividade, especialmente em um ambiente de rápida expansão dos investimentos relacionados à inteligência artificial. A manutenção de uma política monetária restritiva nos Estados Unidos tende a influenciar as taxas dos títulos do Tesouro norte-americano, o valor do dólar e os fluxos internacionais de capital, afetando consequentemente mercados emergentes, inclusive o Brasil. No período recente, os mercados acionários norte-americanos também foram sustentados pelo otimismo com a expansão da inteligência artificial e pelos resultados de grandes empresas de tecnologia, enquanto o Nasdaq chegou a registrar novos recordes. Ao mesmo tempo, a elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro e as incertezas sobre a trajetória futura dos juros continuam produzindo volatilidade nos ativos de risco.
Na Europa, o ambiente permanece condicionado principalmente pela inflação e pelo impacto da crise energética decorrente dos conflitos no Oriente Médio. O Banco Central Europeu elevou suas principais taxas de juros em 0,25 ponto percentual e passou a trabalhar com projeção de inflação média de 3,0% em 2026, 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028. Embora a atividade econômica da região continue apresentando alguma resiliência, o aumento dos custos de energia representa risco para a indústria, para o consumo e para as condições financeiras. A própria autoridade monetária europeia reconhece que a evolução do conflito no Oriente Médio e dos preços de energia pode alterar significativamente a trajetória da inflação.
A China também permanece como importante variável para o cenário global, especialmente para países exportadores de commodities como o Brasil. Os dados mais recentes mostram desempenho relativamente forte da indústria chinesa, cuja produção industrial cresceu 5,2% em agosto na comparação anual, com destaque para equipamentos e setores de alta tecnologia. Por outro lado, o investimento em ativos fixos apresentou queda de 7,2% no acumulado do ano até agosto, enquanto o setor imobiliário continua enfrentando dificuldades. As exportações e importações apresentaram crescimento expressivo, mas o comportamento do consumo doméstico permanece como ponto de atenção. Esse quadro evidencia uma economia que continua crescendo e mantendo forte capacidade industrial e exportadora, mas que enfrenta desafios relacionados ao mercado imobiliário, ao investimento privado e ao fortalecimento da demanda interna.
Entre os fatores que mais influenciam atualmente as perspectivas econômicas globais estão os conflitos geopolíticos. A guerra entre Rússia e Ucrânia continua provocando efeitos sobre o mercado internacional de petróleo, gás, fertilizantes, grãos e logística. No passado recente, ataques contra instalações de processamento de petróleo russas provocaram interrupções na produção de importantes
refinarias, contribuindo para dificuldades no abastecimento interno de combustíveis e aumentando a pressão sobre mercados internacionais de derivados. O conflito também continua afetando a estrutura de produção e exportação de commodities agrícolas e energéticas, mantendo elevados os riscos relacionados às cadeias de suprimentos e aos preços internacionais. Além disso, o aumento dos gastos militares e a necessidade de financiamento associados ao conflito permanecem pressionando as contas públicas russas.
No Oriente Médio, a continuidade do conflito envolvendo Irã e Israel e a participação militar dos Estados Unidos mantém elevada a preocupação com a segurança energética mundial, principalmente em razão dos riscos sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do comércio internacional de petróleo e gás. Nos últimos dias, o tráfego de embarcações de commodities pelo estreito chegou a níveis excepcionalmente baixos, enquanto diferentes sinais diplomáticos envolvendo Estados Unidos e Irã provocaram forte oscilação nos preços do petróleo. O receio de interrupções prolongadas no fornecimento de energia tem contribuído para a elevação das cotações do petróleo e dos derivados, principalmente do diesel, aumentando os custos de transporte e produção em diversas economias. A OCDE destaca que uma prolongada interrupção dos fluxos de petróleo e gás poderia produzir uma combinação particularmente desfavorável de inflação mais elevada e menor crescimento econômico.
Outro elemento que merece atenção é o aumento das tensões comerciais e a reorganização das cadeias globais de produção. A elevação de tarifas pelos Estados Unidos e as medidas de retaliação ou negociação adotadas por outros países aumentam a incerteza para empresas multinacionais e podem provocar mudanças nas rotas de comércio, nos investimentos e na localização das cadeias produtivas. Apesar dessas dificuldades, o comércio mundial continua apresentando crescimento e a OCDE observa que investimentos em inteligência artificial vêm funcionando como importante vetor de expansão da produção, dos investimentos e do comércio. A combinação entre inteligência artificial, automação, semicondutores, infraestrutura digital e aumento da produtividade vem atraindo volumes significativos de capital e ajudando a sustentar o mercado acionário, embora também esteja concentrando parcela relevante dos investimentos em determinados setores e empresas.
Diante desse conjunto de fatores, o cenário econômico recente pode ser caracterizado por uma economia mundial que continua crescendo, mas que opera sob condições de maior incerteza e com riscos mais elevados do que em períodos de normalidade. Para o Brasil, o ambiente reúne fatores positivos, como a desaceleração da inflação, a manutenção de um mercado de trabalho relativamente forte, a perspectiva de continuidade da redução dos juros e a capacidade do setor externo de gerar receitas, mas também apresenta desafios relacionados à política fiscal, à trajetória da dívida pública, à volatilidade cambial, às tarifas comerciais e aos efeitos dos preços internacionais de energia e commodities. Para os mercados financeiros, especialmente renda fixa e investimentos institucionais, a evolução da Selic, da inflação, dos juros norte-americanos, do dólar, dos preços do petróleo, da situação fiscal brasileira e dos conflitos geopolíticos continuará sendo determinante. Nesse contexto, a trajetória dos juros domésticos tende a permanecer especialmente relevante, uma vez que o início do processo de redução da Selic modifica gradualmente as condições de remuneração dos ativos de renda fixa, ao mesmo tempo em que pode favorecer, de forma progressiva, os ativos de maior risco e duration. Por outro lado, a manutenção de riscos fiscais e externos recomenda atenção constante à diversificação dos investimentos e à gestão de liquidez e de risco, especialmente diante da possibilidade de novos choques sobre inflação, câmbio e taxas de juros. (Fontes: ITAÚ, G1, Boletim Focus, Informoney e Assessoria Financeira CM Consultoria).
Pauta 2- Análise da carteira de investimentos – No período, a carteira apresentou rentabilidade de 1,31%, com resultado financeiro de R$ 1.676.173,43, alcançando rentabilidade acumulada de 8,11% no exercício, frente à meta atuarial acumulada de 6,80%. O resultado financeiro acumulado até agosto totalizou R$ 9.606.944,15.
www.diariomunicipal.com.br/arom 87