DOU 23/03/2023 - Diário Oficial da União - Brasil
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. Este documento pode ser verificado no endereço eletrônico http://www.in.gov.br/autenticidade.html, pelo código 05152023032300228 228 Nº 57, quinta-feira, 23 de março de 2023 ISSN 1677-7042 Seção 1 . A utilização desse tipo de ferramenta é recomendada entre as melhores práticas (IFF/FIOCRUZ, 2021). Previamente à morbidade grave ou morte de um paciente, identifica-se comumente um período de deterioração fisiológica que passou desapercebido e/ou não foi tratado de forma adequada (KYRIACOS et al., 2014). Predominantemente, as condições gerais de saúde das gestantes são boas, porém as mudanças fisiológicas próprias da gestação podem dificultar o reconhecimento precoce de deterioração clínica. Parcela considerável das mortes maternas por hemorragia, pré-eclâmpsia/eclâmpsia e infecção decorre de atrasos no reconhecimento, diagnóstico e tratamento (CANTWELL et al., 2011; SCHULER et al., 2019). . O MEOWS é uma ferramenta de rastreio de morbidade materna que consiste no preenchimento de uma tabela de parâmetros fisiológicos, onde são registrados diferentes sintomas e sinais vitais. Este instrumento apresenta cores segundo valores anormais das variáveis. De acordo com a pontuação obtida a partir da soma dos campos, as ações devem seguir o fluxo de atendimento estabelecido para cada escore, facilitando a identificação de risco de complicações obstétricas e a necessidade de intervenção médica precoce (SINGH et al., 2012). . Há diferentes escalas que buscam apoiar a equipe de saúde na identificação de deterioração clínica de pacientes, considerando as especificidades fisiológicas do ciclo gravídico-puerperal, foram desenvolvidas escalas específicas para a atenção obstétrica (BRESLIN, MCGLENNAN, 2009). Para cumprimento deste item, o hospital/maternidade indicado para participar da presente certificação deve adotar a escala MEOWS desenvolvida considerando exatamente as especificidades do ciclo gravídico-puerperal, experimentado no âmbito do Movimento Parto Adequado. Para facilitar a adesão à ferramenta, fornecemos neste item de verificação como referência o modelo de MEOWS. . Escala de MEOWS . 3 2 1 0 1 2 3 . PAS (mmHG) < 80 80 - 89 90 - 139 140 - 149 150 - 159 ³ 160 . PAD (mmHG < 90 90 - 99 100 - 109 ³ 110 . FR < 10 10 - 17 18 - 24 25 - 29 ³ 30 . FC < 60 60 - 110 111-149 ³ 150 . L O2 por minuto para Sat O2 ³ 96% Ar ambiente < 5 L/min ³ 5 L/min . Temp oC < 34oC 34- 35oC 35,1 - 37,9oC 38 - 38,9oC ³ 39oC . NC Alerta Rebaixado . Fo n t e : Traduzido e adaptado de C. Carle (Intensive Care National Audit and Research Center - ICNARC, UK, 2013) Onde: PAS= Pressão Arterial Sistólica . PAD=Pressão Arterial Diastólica FR = Frequência respiratória FC = Frequência cardíaca NC= Nível de Consciência . ESCORE DE ALERTA CLÍNICO - HOSPITAL . ES CO R E C R I T I C I DA D E AFERIÇÃO DE SINAIS VITAIS (tec. e auxiliar de enfermagem) TOMADA DE DECISÃO . 0 Baixo Intervalo mínimo de 6 em 6 horas Realizar sinais vitais a cada 6 horas. Recalcular escore se: sinal vital alterado, nas transferências entre hospital ou setores. . 1 - 3 (exceto 3 por parâmetro vermelho / crítico) Baixo Reavaliação em 1 hora Reavaliar escore em uma hora e, caso mantido valor de 1 a 3 ou mais baixo, seguir fluxo de avaliação de sinais vitais a cada 6 horas. . ³ 4 (ou 3 por um parâmetro vermelho/crítico) Moderado A cada 30 minutos Acionar equipe médica especialista (GO) para avaliação clínica imediata. Realizar avaliação clínica e questionar CPAV (Condição Potencialmente Ameaçadora à Vida. Inclui: sangramento, hipertensão e sepse). . Aplicar escore de alerta a cada 30 minutos até valor menor que 4 e ausente parâmetro vermelho por uma hora. . ³ 6 alto Monitorização contínua Acionar equipe médica especialista (GO) para avaliação clínica imediata. Realizar avaliação clínica e questionar C P AV . Solicitar transferência para unidade crítica. . Fo n t e : Adaptado de JointTrust Guideline for the Modified Early Obstetric Warning Score (MEOWS) in Detecting the Seriously ill and Deteriorating Woman. NHS, 2020. . Considerando que as pesquisas científicas sobre a prática clínica avançam frequentemente, caso surjam novas diretrizes e ferramentas com base em evidências científicas de qualidade e que sejam reconhecidas por sociedades de especialidades médicas nacionais ou internacionais, pela OMS ou Ministério da Saúde, pode haver ajuste na conduta em questão, desde que não contrarie códigos de conduta profissional, normas técnicas e legislação. O hospital/maternidade que optar por adotar outra diretriz ou ferramenta deve apresentar o estudo ou publicação que ensejou a sua escolha. . Para assegurar que a unidade hospitalar/maternidade atenda a essas caraterísticas, a operadora deverá dispor de contrato firmado ou instrumento similar estabelecendo essa condição para a contratualização com os hospitais/maternidades participantes da Certificação, independentemente do hospital/maternidade ser rede própria, contratada, credenciada ou referenciada. Possíveis Formas de Obtenção de Evidências: Verificação de contratos ou documentos similares entre a operadora e os hospitais/maternidades indicados como participantes da Certificação, prevendo a adoção de sistema de avaliação modificado para auxiliar na identificação precoce de deterioração clínica de pacientes obstétricas. . 2.3.4 Os hospitais/maternidades indicados pela operadora para participarem desta certificação adotam protocolo de prevenção de hemorragias pós-parto. Interpretação: Essencial . Os hospitais/maternidades indicados pela operadora para participarem desta certificação adotam protocolo de prevenção de hemorragias pós- parto, considerando que esta é a segunda maior causa de morte materna no Brasil. Para a adequada prevenção, identificação e contenção de hemorragias pós-parto, as operadoras deverão pactuar com os hospitais/maternidades protocolo que englobe ações desde a admissão, a saber: (1) avaliação do risco de sangramento na admissão; (2) quantificação o mais correta possível da perda sanguínea durante o parto e pós-parto; e . (3) administração de uterotônicos após o nascimento. Considera-se síndrome hemorrágica pós-parto a situação de todas as puérperas que apresentarem perda sanguínea superior a 500 ml nos partos vaginais e superior a 1000 ml em cirurgias cesarianas, com ou sem instabilidade hemodinâmica. Para a avaliação do risco de sangramento na admissão, além da aplicação da ferramenta Sistema de Avaliação Modificado de Alerta Obstétrico Precoce (Modified Early Obstetric Warning Score - MEOWS), abordada no item de verificação 2.3.3, deverá também ser utilizado o formulário sobre fatores de risco para hemorragia pós-parto, descrito a seguir: . FATORES DE MÉDIO RISCO PARA HPP Parto Cesáreo Anterior? ( ) SIM ( ) NÃO Admitida com história de Pré-eclâmpsia Leve? ( ) SIM ( ) NÃO Pressão Arterial: ____ Gestação Gemelar? ( ) SIM ( ) NÃO . USG com relato de Polidramnia? ( ) SIM ( ) NÃO Peso Fetal na última USG = Considerado GIG? ( ) SIM ( ) NÃO Número de Partos Vaginais Anteriores: 4 ou (+)? ( ) SIM ( ) NÃO Admitida com Bolsa Rota? ( ) SIM ( ) NÃO Líquido Amniótico com odor fétido? ( ) SIM ( ) NÃO . Relato de hemorragia em parto anterior? ( ) SIM ( ) NÃO Obesidade? IMC > 35 ( ) SIM ( ) NÃO RESULTADO: Gestante com médio risco para HPP? ( ) SIM ( ) NÃO R ECO M E N DAÇÕ ES : Adotar uso de pulseira padronizada para risco de hemorragia no pós-parto (HPP). . FATORES DE ALTO RISCO PARA HPP Relato de internação de Placenta Prévia? ( ) SIM ( ) NÃO Relato de internação de Placenta com inserção baixa? ( ) SIM ( ) NÃO . Último resultado de Hematócrito pré-natal < 30%? ( ) SIM ( ) NÃO Último resultado de Plaquetas pré-natal < 100.000? ( ) SIM ( ) NÃO Admitida com sangramento ativo? ( ) SIM ( ) NÃO Usou heparina ou AAS na gestação? ( ) SIM ( ) NÃO Placenta Acreta? ( ) SIM ( ) NÃO