Dia Oficial

Diário Oficial do Estado do Ceará · 24/04/2026 · pág. 25

DOE 24/04/2026 - Diario Oficial do Estado do Ceara - Caderno 3

Baixar página em PDF · Criar alerta deste tema

O visualizador interativo precisa de JavaScript — baixe a página original em PDF.

TEXTO OFICIAL · ÍNTEGRA

DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO | SÉRIE 3 | ANO XVIII Nº073 | FORTALEZA, 24 DE ABRIL DE 2026

165

a - tele matriciamento, teleconsultoria, tele interconsulta, telediagnóstico, telerregulação assistencial, segunda opinião formativa e teleducação;

IV. Constituir-se como equipe interdisciplinar, de gestão municipal e atuação multiprofissional, responsável por realizar ações de cuidados paliativos no âmbito do estabelecimento a que estiver vinculada e, conforme o caso, em outros pontos de atenção da RAS no território de abrangência, acompanhando-os integralmente até o óbito e apoiando a família no pós-óbito;

VI. Garantir acesso de qualidade e humanizado aos cuidados paliativos no âmbito da RAS, de forma integrada com a atenção primária.

  1. Rede de Cuidado Integral à Pessoa em Cuidados Paliativos

Os cuidados paliativos deverão ser ofertados em qualquer ponto da rede de atenção à saúde:

● Unidades e hospitais especializados em cuidados prolongados e de transição: viabiliza a desospitalização e cuidados de transição para pacientes com necessidade de reabilitação, adaptação de cuidados multidisciplinares e treinamento dos cuidadores, como também dá suporte em Cuidados Paliativos para pacientes com progressão da condição de base que não tem condições de permanecer no domicílio; o alvo é capacitar os hospitais polo e até os de pequeno porte para esse atendimento.

Existem várias maneiras de se identificar a demanda por Cuidados Paliativos. Esta Linha de Cuidado sugere a utilização de algumas ferramentas de triagem: Supportive and Palliative Care Indicators Tool (Brazilian version) - SPICT-BR™ (Triagem do perfil do paciente). Esta ferramenta (Anexo 5) pode ser usada para identificar pacientes adultos que podem se beneficiar de cuidados paliativos, sejam eles primários ou especializados, em diversos contextos assistenciais, como atenção primária, ambulatórios, hospitais, domicílios e instituições de longa permanência.

As escalas mais utilizadas são: PPS (Palliative Performance Scale) (Anexo 1), KPS (Karnofsky Palliative Scale) (Anexo 2), Lansky (Anexo 3), IVCF-20 (Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional) (Anexo 4). Na pediatria utiliza-se a de Lansky em menores de 16 anos e a de KPS para maiores de 16 anos. A funcionalidade do paciente é definida pela capacidade de participar ativamente do planejamento terapêutico, tomar decisões sobre sua própria vida e realizar atividades de vida diária básicas e instrumentais. Existem várias escalas que avaliam a funcionalidade dos pacientes em cuidados paliativos, deve ser avaliada no momento da consulta do paciente e comparada com a funcionalidade nas quatro semanas anteriores, assim ajuda a diferenciar se o declínio funcional é decorrente de algum agravo agudo ou trata-se de progressão da própria doença de base.

As avaliações de funcionalidade pregressas registrados nos atendimentos ambulatoriais e/ou serviços de saúde externos ao hospital requerem uma interlocução, seja por meio de discussões de caso, relatórios multiprofissionais e registros em prontuário para seguimento longitudinal das equipes de saúde. O diagnóstico e a indicação de Cuidados Paliativos pode e deve ser dado em qualquer nível de atenção e serviço da RAS. É importante a documentação da avaliação médica e multidisciplinar de forma sistemática com uso de escalas e formulários padronizados, incluindo diagnóstico, funcionalidade, sintomas presentes com gravidade e um plano terapêutico individual. Esse documento deve ser acessível para todos na RAS para guiar a assistência e também ser compartilhado com o paciente e a família.

Importante que o plano avançado de cuidados do paciente seja minuciosamente escrito pelas equipes de saúde e que seja devidamente compartilhado com paciente e familiares, sendo importante que o mesmo contenha um planejamento de medidas a serem realizadas em caso de intercorrências, além da descrição de valores e desejos dos pacientes.

5.2 Grupo de pacientes indicação de Cuidado Paliativo Pediátrico

Na população pediátrica, pode-se considerar o grupo de pacientes que se beneficiam de Cuidados Paliativos

GRUP OS
SITUAÇÕES ENVOLVIDAS
EXEMPLOS DE DOENÇAS E CONDIÇÕES
Grupo 01
Crianças com condições agudas de risco de vida, das quais a recuperação pode ou não ser possível
Qualquer doença grave ou lesão crít ica, desnutrição grave
Grupo 02
Crianças com condições crônicas de risco de vida que podem ser curadas ou controladas por
um longo período, mas que também podem morrer

Malignidades, tuberculose multirres
istente, HIV / AIDS
Grupo 03
Crianças com condições progressivas de risco de vida para as quais não há tratamento
curativo disponível

Atrofia Muscular Espinhal, Distrofi
a Muscular de Duchenne
Grupo 04
Crianças com condições neurológicas graves que não são progressivas, mas podem causar
deterioração e morte

Encefalopatia estática, tetraplegia es
pástica, espinha bífida
Grupo
Grupo
05
Recém nascidos que são gravemente prematuros ou tem anomalias congênitas graves
06
Membros da família de um feto ou criança que morre inesperadamente
Prematuridade grave, anencefalia, hé
Morte fetal, encefalopatia hipóxico-is
saudável,traumapor acidente de ve
rnia diafragmática congênita, trissomia do 13 ou 18
quêmica, sepse avassaladora em criança previamente
ículo motorizado, queimaduras,etc
5.3 Co ndições Clínicas para encaminhamentos nos Pontos de Atenção
1. Pacientes em processo ativo de morte, mas com sintomas de fim de vida não bem controlados.
2. Pacientes com potencial necessidade de procedimento cirúrgico Atenção especializada hospitalar
3. Pacientes com necessidade de visitas sequenciais para manejo de sintomas não controlados
4. Pacientes em processo ativo de morte, se for desejo do paciente/família
5. Pacientes com necessidade de visitas em cuidados de fim de vida Encaminhamento para Atenção Domiciliar
6. Pacientes com necessidade de ventilação mecânica em domicílio
7. Pacientes com necessidade de controle de sintomas complexos
8. Pacientes com necessidade de planejamento avançado de cuidados. Atenção Ambulatorial especializada
9. Pacientes em transição dos cuidados complexos incluindo treinamento e suporte ao familiar/cuidador
10. Pacientes provenientes de hospital com necessidade de suporte e cuidados especiais como suporte re
multidisciplinar para controle de sintomas/óbito domiciliar
spiratório, reabilitação e assistência Unidades de cuidados prolongados e transição
de cuidados
11. Pacientes com necessidade de remoção para pronto atendimento / hospital de referência por sintom
intercorrência aguda, independente do PPS, decisão compartilhada com a família é baseada nos valore
as não controlados*, sofrimento ou
s do paciente
12. Pacientes que já são acompanhados por equipe de CP, com plano terapêutico definido e que o si
sintomático paliativo.
ntoma não controlado necessita de Serviço de Urgência e Emergência / SAMU
13. Pacientes com dificuldade de deslocamento (mobilidade diminuída ou distância do centro de refer
especializado ambulatorial.
ência) e com indicação de cuidado Telemedicina

Fonte: Grupo Condutor em Cuidados Paliativos SESA/CE 2025

*Sintomas não controlados: dor, dispneia, obstrução intestinal, náusea, vômito, febre, sangramento ou outros que causem sofrimento a pessoa. 6. Sistema de apoio e logística

Atividades de apoio são consideradas como suporte essencial para o atendimento das demandas e garantem uma logística eficiente.

SISTEMAS DE APOIO SISTEMA LOGÍSTICO
Apoio Diagnóstico e Terapêutico Acesso Regulado
Assistência Farmacêutica Registro Eletrônico/ Prontuário
Sistema de informação em saúde Sistema de Transporte