Dia Oficial

Diário Oficial da Cidade de São Paulo · 19/08/2026 · pág. 137

DOCSP 19/08/2026 - Diario Oficial da Cidade de Sao Paulo - Edicao 207

Baixar página em PDF · Criar alerta deste tema

O visualizador interativo precisa de JavaScript — baixe a página original em PDF.

TEXTO OFICIAL · ÍNTEGRA

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

137 – São Paulo, 71 (207)

────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────

5.1 BREVE HISTÓRICO

A história da Biblioteca Mário de Andrade começa antes mesmo dela receber esse nome. Fundada em 1925, a Biblioteca Pública Municipal de São Paulo teve seu primeiro endereço na Rua Sete de Abril. A inauguração e a abertura ao público aconteceram em 1926, com um acervo composto pela coleção de obras que estava sob a guarda da Câmara Municipal de São Paulo.

Durante toda a sua trajetória, a Biblioteca manteve estreita relação com os maiores expoentes da cultura brasileira, como Mário de Andrade, Sérgio Milliet e Rubens Borba de Moraes, além de ter sido o primeiro núcleo de arte moderna no país, cimentando as bases para aquele que seria o caminho para a criação do Museu de Arte de São Paulo.

Logo no início já ficou claro que a Biblioteca teria um papel central na efervescência cultural da época. Tudo começou com o primeiro diretor, Eurico de Goes, literato da época e responsável pelo início da atividade cultural, que utilizava as dependências do Teatro Municipal, já que a Biblioteca carecia de um auditório.

No início dos anos 1930 foi criado o Departamento de Cultura, tendo como diretor Mário de Andrade que, a partir de diversas políticas de incentivo à leitura, contribuiu para o início da segunda fase da Biblioteca Pública Municipal.

Em 1936, o diretor da Divisão de Bibliotecas, Rubens Borba de Moraes, dá início à concretização de um sonho: a construção de um prédio que abrigaria adequadamente a grande biblioteca central de São Paulo. Em 4 de maio de 1936, conforme o Ato nº 1.078, o prefeito Fábio Prado libera recursos para a “compra do imóvel situado à Rua Xavier de Toledo, esquina da rua São Luiz, para nele ser construído o edifício” (SÃO PAULO, 1936, art. 1º). Posteriormente, outros terrenos do entorno foram desapropriados para dar lugar à biblioteca e à futura praça.

O novo prédio da Biblioteca, projetado pelo arquiteto francês modernista Jacques Pilon, conhecido por suas influências advindas do movimento art déco, representa os desejos de Mário de Andrade de modernizar a cidade, acrescentando uma proposta inovadora, valorizando os espaços públicos à paisagem urbana.

Durante toda a sua trajetória, a Biblioteca Mário de Andrade passou por processos de revitalização, modernização e reforma em suas instalações. Dentre as ações envolvidas, foi feito um esforço para reunir o acervo que caracteriza a história da Biblioteca. É nesse contexto que surge o projeto para organizar a documentação que resgata a história e a memória desta importante instituição de cultura de nosso país. Nasce o Núcleo de Memória da Biblioteca Mário de Andrade com a missão de reunir documentos que digam respeito à história dessa instituição, que completou seu centenário de criação em 2025.

5.2 O NÚCLEO DE MEMÓRIA INSTITUCIONAL E GESTÃO DOCUMENTAL ANA MARIA DE ALMEIDA CAMARGO

O Núcleo de Memória da BMA é o setor responsável por reunir, tratar, organizar, armazenar, preservar e garantir acesso ao patrimônio arquivístico da Biblioteca desde a sua criação. Nele, encontram-se documentos que refletem todas as mudanças ocorridas no decorrer dos anos, as diferentes funções que a Biblioteca passou a exercer e, ao mesmo tempo, contam a história da instituição. Os documentos ali preservados reconstituem um período importante da memória de São Paulo e servem como fonte de pesquisa de valor inestimável para compreender as transformações pelas quais a cidade passou.

A partir de 6 de janeiro de 2026, através da Portaria SMC.G nº 3, o setor passou a ser denominado Núcleo de Memória Institucional e Gestão Documental - Ana Maria de Almeida Camargo, considerando o relevante legado de Ana Maria de Almeida Camargo, professora, pesquisadora e referência nas áreas da Arquivologia e História no Brasil. Sua trajetória destaca-se pela atuação pioneira na reflexão sobre arquivos, memória e documentos, sendo uma das responsáveis por consolidar os estudos arquivísticos como campo de conhecimento acadêmico no país. Além disso, essa nova denominação não apenas cumpre a função do tratamento e preservação dos documentos de caráter histórico, mas também promove a gestão dos documentos.

A escolha de seu nome para designar o Núcleo de Memória também se justifica por sua estreita relação com a Biblioteca Mário de Andrade ao longo de sua trajetória. Ana Maria de Almeida Camargo participou de atividades promovidas pela instituição, como a mesa-redonda “Obra rara: critérios para definição, política de preservação e mercado”, realizada em 8 de outubro de 1992. Sua relação com a instituição se evidencia também pela parceria acadêmica com Rubens Borba de Moraes, segundo diretor da Biblioteca Mário de Andrade, com quem publicou, em 1993, a obra “Bibliografia da Impressão Régia do Rio de Janeiro”, referência para os estudos da história do livro e da bibliografia brasileira.

Ana Maria de Almeida Camargo contribuiu ainda para a produção intelectual da Biblioteca com o artigo “Rubens Borba de Moraes e a Biblioteca Pública Municipal de São Paulo”, publicado na Revista da Biblioteca Mário de Andrade (v. 57, 1999). Posteriormente, integrou o Conselho Consultivo da Biblioteca Mário de Andrade, por meio da Portaria SMC nº 38, de 4 de agosto de 2006, reforçando sua colaboração com a instituição e seu compromisso com a preservação, a difusão do patrimônio documental e o fortalecimento das políticas de memória.

A importância do estabelecimento do Núcleo de Memória da BMA se dá tendo em vista o potencial de pesquisa que esses documentos guardam, não apenas para entendermos todos os percursos que configuram a Mário de Andrade, mas para buscarmos em sua trajetória mudanças sociopolíticas paulistanas dos últimos 100 anos. Ao consolidar um setor dedicado à preservação da memória institucional, ao tratamento e à difusão do patrimônio documental, o Núcleo de Memória reafirma o compromisso da Biblioteca com a salvaguarda de sua trajetória histórica. Sua atuação fortalece os processos de preservação, valorização e acesso, assegurando que a história, a identidade e o legado da instituição sejam transmitidos às futuras gerações e permaneçam como referência ao longo dos próximos cem anos.

O Núcleo de Memória abriga grandes conjuntos documentais que necessitam ser organizados, descritos e armazenados tanto física quanto digitalmente, em base de dados, a fim de facilitar e ampliar o acesso. Desde janeiro de 2019, o setor vem passando por um processo de organização de seu acervo, composto por documentos textuais, iconográficos, audiovisuais e sonoros:

documentos textuais: 90 metros lineares de documentos textuais (correspondência da diretoria, ofícios, relatórios de frequência, relatórios de gestão, programação, livros contábeis, notas fiscais de aquisição de livros, entre outros);

documentos iconográficos: imagens históricas (desde a década de 1920 na antiga sede da Rua 7 de Abril até a construção da atual edificação entre 1939-1942) além de imagens mais recentes produzidas como registro de atividades relacionadas ao processo de revitalização da Biblioteca, reforma e restauro do edifício, higienização da coleção de periódicos e ainda as atividades regulares promovidas pelo Setor de Ação Cultural;

Projeto Memória Oral - 56 depoimentos gravados de ex-funcionários, diretores, pesquisadores, usuários, artistas e intelectuais que tiveram fortes vínculos com a Biblioteca Mário de Andrade;

documentos audiovisuais e sonoros - fitas cassete, com gravações que datam desde 1968, além de fitas VHS, CDs e DVDs. Essas gravações tratam dos mais diversos temas, sendo constituídas em sua maioria por eventos que ocorreram na BMA. Entre as personalidades relacionadas a esses eventos estão incluídos nomes importantes como Mário Quintana, Gilberto Freyre, Dominguinhos, Abdias do Nascimento, Ruth Rocha, Tom Zé, Hernâni Donato, Paulo Nogueira, Alaíde Costa, Ney Matogrosso, Lygia Fagundes Telles, Rachel de Queiroz, Gilberto Gil, Marilena Chauí, Delfim Netto e tantos outros.

O tratamento desse acervo visa tanto à conservação quanto à promoção e à divulgação da informação que, por consequência, se transforma em conhecimento.

──────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────────── Publicado em https://diariooficial.prefeitura.sp.gov.br com assinatura eletrônica qualificada Arquivo Publico Municipal | Rol registrado no processo 6013.2026/0006722-6 protocolo 163351773, CRC F6EF9668