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Diário Oficial dos Municípios do Rio Grande do Sul · 22/09/2026 · pág. 108

DOMRS 22/09/2026 - Diario Oficial dos Municipios do Rio Grande do Sul

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Rio Grande do Sul , 22 de Setembro de 2026 • Diário Oficial dos Municípios do Estado do Rio Grande do Sul • ANO XVIII | Nº 4420

e tratamento da informação. – Resolução de problemas. Partir de problemas do cotidiano com material concreto e registros pessoais (desenhos, símbolos), avançando para os registros simbólicos convencionais. – Tratamento da informação. Retomar, na EI e no 1º ano, o registro e a leitura de gráficos e tabelas básicos (EI03ET08 → EF01MA21), tratando a informação como linguagem desde cedo. – Grandezas e medidas. Explorar grandezas e medidas (comprido/curto, pesado/leve, dia/noite, calendário) como campo de vocabulário comum à linguagem e à matemática. 4.5 Quadro-ponte de continuidade curricular O quadro a seguir explicita a articulação entre o que a Educação Infantil inicia (de forma lúdica e não sistemática) e o que o 1º ano do Ensino Fundamental sistematiza, nas duas frentes de letramento. Letramento linguístico Eixo / Foco O que a Educação Infantil inicia O que o 1º ano do EF sistematiza Oralidade Relatar fatos, recontar e criar narrativas (EI03EF04/05). Produzir gêneros orais e ampliar interações discursivas (EF01LP/oralidade). Consciência fonológica Rimas, aliterações e sons das palavras no brincar (EI03EF02). Segmentar sílabas, identificar fonemas e relacioná-los a letras (EF01LP06–LP08). Escrita Escrita espontânea; hipóteses sobre a escrita (EI03EF06/09). Escrita alfabética; correspondências grafemafonema (EF01LP02/05). Leitura Folhear livros, orientar-se por temas e ilustrações (EI03EF03/08). Ler palavras e textos curtos com decodificação e sentido (EF12LP01; EF01LP16). Letramento matemático Eixo / Foco O que a Educação Infantil inicia O que o 1º ano do EF sistematiza Número e quantidade Relacionar número à quantidade; antes/depois/entre (EI03ET07). Contar, comparar e registrar quantidades até 100 (EF01MA01–MA05). Classificação e padrões Classificar objetos por semelhanças e diferenças (EI03ET05). Ordenar por atributos e completar sequências/padrões (EF01MA10). Registro / representação Registrar com desenho, símbolos e escrita espontânea (EI03ET04). Registrar resultados por meio de registros verbais e simbólicos (EF01MA04). Grandezas e tempo Vocabulário de grandeza e noções de tempo (EI03ET06/08). Comparar comprimentos/massas e relatar Estado do Rio Grande do Sul Eixo / Foco O que a Educação Infantil inicia O que o 1º ano do EF sistematiza a sequência do (EF01MA15/MA16). dia Tratamento informação da Construir gráficos básicos (EI03ET08). Ler dados em tabelas e gráficos de colunas (EF01MA21). 5. PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO simples Desde o ingresso na Educação Infantil, a criança precisa vivenciar experiências com intencionalidade pedagógica, indicadas por objetivos de aprendizagem de cada etapa. Segundo a BNCC, espera-se que o estudante esteja alfabetizado até o final do 2º ano do Ensino Fundamental, com domínio das habilidades de leitura e escrita. Dois pilares sustentam esse processo: a consciência fonológica e as funções executivas. 5.1 Consciência fonológica A consciência fonológica é a capacidade de compreender que a linguagem oral é constituída por estruturas fonéticas — palavras, sílabas e fonemas — e deve ser trabalhada antes, durante e após a alfabetização. Quando não é bem desenvolvida, a criança tende a apresentar dificuldades no processo. As habilidades são desenvolvidas por meio de atividades lúdicas: – Rima. Identificada no final da palavra, ajuda a criança a perceber padrões na fala e nos sons (balão, portão, natação, colchão). Trabalhase com histórias, poemas, quadrinhas, trava-línguas, parlendas, cantigas e jogos. – Aliteração. Ocorre no início das palavras, por sílabas ou consoantes do mesmo grupo sonoro (bola, boneca, bolacha, borracha). Trabalha-se com trava-línguas, jogos de letra inicial/final, “qual é a intrusa”, trilhas. – Consciência de palavras na frase. Perceber quantas palavras compõem uma frase e se estão em ordem que faça sentido. Contar palavras, bater palma para cada uma e ordenar frases auxiliam a compreender a sequência da comunicação oral e escrita. – Consciência de sílabas. Compreender que a palavra é formada por uma sequência de sílabas, cada uma com som específico. Contar sílabas, dizer letra inicial/final, subtrair sílabas para formar novas palavras. Consciência fonêmica. Identificar, detectar, manipular e segmentar os fonemas (por exemplo, a diferença entre faca e vaca), percebendo os movimentos da boca ao pronunciar os sons (consciência fonoarticulatória). Paralelo no letramento matemático — consciência numérica: assim como a consciência fonológica antecede a leitura e a escrita, a consciência numérica (subitização, contagem com correspondência um a um, comparação e sequência) antecede e sustenta a apropriação do sistema de numeração. Recomenda-se desenvolvê-la, na mesma lógica lúdica, na Educação Infantil e no 1º ano. 5.2 Funções executivas As funções executivas dão suporte e

regulam pensamentos, emoções e comportamentos, refletindo na autonomia das crianças na aprendizagem. Corigliano (2022) as descreve como um conjunto de processos mentais que conectam a experiência à ação presente, organizados em três dimensões indissociáveis: – Memória de trabalho. Permite armazenar, relacionar e pensar informações no curto prazo, sustentando a criança na retomada do que estava fazendo. – Controle inibitório. Possibilita controlar e filtrar pensamentos, atenção e comportamento, evitando distrações e respostas impulsivas. – Flexibilidade cognitiva. Permite mudar de perspectiva ao pensar e agir, perceber um erro e corrigir a estratégia. 5.3 O Sistema de Escrita Alfabética (SEA) Para apropriarse do SEA, a criança precisa descobrir que se escreve com letras, que elas não podem ser inventadas e que o alfabeto da Língua Portuguesa é composto por 26 letras, em ordem convencionalmente estabelecida. Leal e Morais (2010) e Morais (2012) sistematizam as propriedades do sistema que a criança precisa construir: 1. Escreve-se com letras, que não podem ser inventadas, com repertório finito e distintas de números e de outros símbolos; 2. As letras têm formatos fixos, e pequenas variações produzem mudanças na identidade delas (p, q, b, d), embora uma mesma letra assuma formatos variados; 3. A ordem das letras no interior da palavra não pode ser mudada; 4. Uma letra pode se repetir no interior de uma palavra e diferentes palavras podem compartilhar as mesmas letras; 5. Nem todas as letras podem ocupar certas posições nem se combinar com quaisquer outras; 6. As letras notam a pauta sonora das palavras, e não as características físicas ou funcionais dos referentes; 7. As letras notam segmentos sonoros menores do que as sílabas orais; 8. As letras têm valores sonoros fixos, embora muitas tenham mais de um valor e certos sons possam ser notados por mais de uma letra; 9. Além das letras, usam-se marcas (acentos) que modificam a tonicidade ou o som; 10.As sílabas variam nas combinações entre consoantes e vogais (CV, CCV, CVC, V, VC), predominando a estrutura CV; toda sílaba do português contém ao menos uma vogal. 5.3.1 Hipóteses de escrita Ao escrever de maneira espontânea, a criança elabora hipóteses sobre o funcionamento do SEA. Ferreiro e Teberosky (1986) descrevem cinco níveis: présilábico; silábico sem valor sonoro; silábico com valor sonoro; silábico-alfabético; e alfabético. É essencial que o professor conheça essa teoria para identificar em que hipótese a criança se encontra e selecionar as intervenções que favorecem o avanço. 5.3.2 Sondagem diagnóstica de escrita A sondagem diagnóstica ocorre de forma frequente e sistemática, sobretudo nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, permitindo identificar a hipótese de escrita de cada criança e selecionar atividades e metodologias adequadas. Aspectos a considerar na elaboração e aplicação: 1. Escolher palavras de um mesmo campo semântico (material escolar, frutas, animais, brinquedos); 2. Selecionar palavras não trabalhadas em classe e não expostas em cartazes, para evitar memorização ou cópia; 3. Escolher palavras com vogais diferentes, evitando repetições (banana, arara, batata) em sílabas consecutivas; 4. Ditar as palavras sem silabar; 5. Ditar nesta ordem: polissílaba, trissílaba, dissílaba e monossílaba — evitando iniciar pelo monossílabo; 6. Elaborar uma frase com uma das palavras da lista, para verificar a manutenção da escrita e o uso de espaços; 7. Garantir que palavras e frase sejam significativas e do cotidiano dos alunos; 8. Solicitar, após cada registro, que a criança leia o que escreveu, para conhecer as relações que estabelece entre o que escreve e o que lê. 5.3.3 Progressão do uso das letras: caixa alta, script e cursiva Quando o estudante começa a escrever, é importante que cada letra mantenha sua individualidade. Por isso, o ensino iniciase pela letra de imprensa maiúscula (bastão), de traços simplificados e adequada à fase de desenvolvimento motor. A partir do 1º ano, apresenta-se a diversidade de letras, iniciando a transição para o script e para a cursiva ao longo do ciclo. 5.4 Processo de leitura A escola tem papel primordial no envolvimento da criança em experiências de leitura, orais e escritas, pois a leitura amplia a visão de mundo, insere na cultura letrada, exercita a imaginação, associa fala e escrita, favorece a fluência e estabiliza as formas ortográficas. Segundo Solé (1998), algumas estratégias são essenciais e mobilizadas conjuntamente pelo leitor: – Seleção. Identificar detalhes relevantes, apoiando-se em título, manchete ou ilustrações para descobrir do que trata o texto. – Antecipação. Prever o que está por vir a partir das informações já apresentadas e das hipóteses possíveis. – Inferência. Compreender o que está escrito, articulando informações prévias com as trazidas pelo autor. – Verificação. Confirmar ou não, ao longo da leitura, as reflexões e hipóteses realizadas. O professor, como modelo

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