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Diário Oficial da Cidade de São Paulo · 06/11/2026 · pág. 181

DOCSP 06/11/2026 - Diario Oficial da Cidade de Sao Paulo - Edicao 285

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TEXTO OFICIAL · ÍNTEGRA

sexta-feira, 06 de novembro de 2026

181 – São Paulo, 71 (285)

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forma, a poder contribuir, se tivesse o alerta mais claro. É uma sugestão.

é complexo, não é?

parabéns pelo trabalho de vocês, e contem com a gente, tá bom?

ALESSANDRO BENDER (SECLIMA): É complexo mesmo. Acho que esse é um desafio que a gente tem, de priorizar. Acho que vai para uma conversa extremamente séria quando a gente for definir essas prioridades. Mas essas prioridades também entram num patamar que eu brinco com o pessoal que está exatamente acima da minha cabeça, que é o universo da política. Eu sou o último andar da parte técnica. Então o que acontece é que, a partir daqui, tem coisas que são mais dolorosas politicamente, outras menos dolorosas politicamente; faz parte do jogo político. Assim funciona, ou seja, não é uma crítica. Tem coisas que a gente consegue fazer com mais facilidade, outras que têm que ser meio na dor mesmo, cortando. Na questão da inspeção veicular, o secretário Nalini fala o tempo inteiro disso: por que o IPVA do carro novo é mais caro do que o IPVA do carro antigo, sendo que o carro antigo já é muito mais problema — o catalisador dele já está para lá de Bagdá? Ou seja, é óbvio que esse carro já deveria ter virado reciclagem em algum lugar, e eles estão circulando por aí. E a questão da inspeção veicular — nessa área eu não sei o que falar, Carlos, porque eu realmente não conheço. Eu me lembro da época em que teve a inspeção, mas eu não sei por que isso deixou de existir. Mas é uma outra conversa.

ALESSANDRO BENDER (SECLIMA): Super concordo com você, Carlos. E assim: qual é o nosso grande desafio de emissões da cidade de São Paulo? 60 e poucos por cento — já passou de 60% — é transporte. O secretário Nalini fala que são nove milhões de carros...

LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Presidente): Obrigada, doutor Marcos Romano.

LUDMILA MELLO DE AMORIM (SECLIMA): Obrigada, Marcos, pela disposição. A gente fica feliz de ouvir isso também. Estamos à disposição para diálogo. E, sobre esse primeiro comentário, dos planos municipais — voltando um pouco só nisso —, eu acho que o que a gente fez na revisão também era uma tentativa de já padronizar um pouco os planos. E, se a gente olha os últimos planos que foram publicados, que foram revisados, eles naturalmente estão seguindo um pouco a mesma direção de estrutura. O Programa de Metas já tinha e tem essa mesma estrutura; o Plano Municipal de Saúde, o próprio PMEA, têm uma estrutura muito parecida, SMART, que a gente vai ver.

LUDMILA MELLO DE AMORIM (SECLIMA): Dez.

ALESSANDRO BENDER (SECLIMA): ...nove, dez milhões de carros na cidade de São Paulo. Nós estamos agora organizando um projeto de zonas de baixa emissão, por exemplo, para a gente poder começar a ter algumas regiões onde só dá para entrar se for veículo elétrico, transporte público. Estamos nesse movimento, para esse tipo de coisa. Mas a gente também tem uma limitação, e eu concordo com você, que é a capacidade de a gente chegar e fazer com que as pessoas usem o transporte público. A gente acabou transformando a cidade. O secretário Nalini fala um negócio muito interessante: que em cima de cada rio hoje tem uma avenida. A gente acabou transformando o que podia ser — segundo o Paulo Mendes da Rocha — a Veneza brasileira numa cidade feita para o transporte de carro. Então a gente tem desafios de transformação, sim. E, se a gente tem uma prioridade, é a prioridade do transporte. O grande desafio que a gente tem hoje é transporte e energia estacionária. Esses são os grandes.

Então a gente consegue ver que, aos poucos, os planos estão adotando essa padronização, que é muito bom para o cruzamento. No próprio sistema que eu falei antes, a ideia é que tudo fique padronizado para que, quando um servidor, uma pessoa, entre lá para ver um único plano, uma variável, um indicador, ela já consiga ver todos os planos que estão associados àquela ação. Então tem essa facilidade de entender. E eu acho que, em relação aos instrumentos, a gente começa nesses planos para conseguir chegar nos instrumentos normativos mais específicos, de projetos e tudo. Eu acho que isso é a abertura inicial. Então a gente fica à disposição também para conversar com o pessoal e trabalhar isso com vocês.

LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Presidente): Obrigada, Carlos. Agora, Marcos Romano, por favor, presencial, e depois a Maria do Carmo, tá?

MARCOS ANTÔNIO SANTOS ROMANO: Bom dia a todos. Parabéns pelo trabalho de vocês, Bender, Ludmila, todos. Tanto a Gabriela quanto o Bender falaram dos planos municipais: temos vários planos, tem um site onde você vê isso. Isso é uma característica da Prefeitura: todo mundo faz o seu plano, e precisa alguém que consolide, reúna todos e oriente para que todos estejam seguindo o mesmo rumo. Aqui a colocação é a seguinte: eu estou na Secretaria de Habitação, no departamento de projetos, e a gente tem uma prerrogativa, que é dizer como devem ser os projetos de HIS. E a gente sabe que tem muita coisa que pode ser feita nas favelas, nas urbanizações, nas construções, levando em conta o clima, o carbono, o tema da sustentabilidade.

Quando a gente fala na questão de resíduos — até a Celina comentou —, a importância do resíduo é que ele tem um potencial de engajamento muito alto. Ou seja, consigo promover o debate; a gente foi lá no SECOVI, vocês fizeram um guia maravilhoso de reciclagem, a gente consegue promover um debate com a população. Mas a questão da energia estacionária, e principalmente do transporte, da produção, etc., é um desafio. O que a gente fez? Investiu um monte de dinheiro comprando ônibus elétrico. Hoje é normal ver ônibus elétrico na rua; a gente já está — desde 2002, por aí — com os primeiros ônibus. Ainda falta um monte. Há um movimento dos carros elétricos, mas ainda assim está longe de a gente chegar num ponto ideal. Então eu acho que temos prioridades, sim. E eu concordo com você que, quando você tem muitas metas, a tendência é que elas se diluam e se esqueçam.

ALESSANDRO BENDER (SECLIMA): A gente está atrás de um guia de compra sustentável, para a gente ter segurança e se amparar. Esse é o nosso sonho de consumo. Já existe um guia de construção sustentável muito legal aqui em São Paulo, e a gente está de olho e se mexendo nesse sentido, provocando o SECOVI sobre isso. A gente está nesse movimento porque, em algum momento, a gente vai precisar rever, porque é um desperdício sem tamanho. Além da questão do consumo baseado no carbono, você tem um desperdício que, sabe, daria para a gente reciclar tudo, aproveitar tudo. É um debate que a gente acompanha. O pessoal brinca que a gente é pequeno, mas a gente é ousado, a gente é bastante ousado em relação a isso.

E a minha proposta é esta — eu não sei com quem vocês estão falando, se já falaram com outros departamentos —: o que a gente pode fazer para já prever, nos projetos, que isso seja levado em conta? O projeto vai para a obra, e a obra vai para a sustentabilidade de uma forma muito grande. A gente tem um trabalho muito pequeno, literalmente minúsculo, falando de energia fotovoltaica; a gente está propondo, e foi aceito, numa comunidade aqui [inaudível]. Mas a minha proposta é essa: o que a SEHAB pode contribuir a partir dos projetos, porque a gente tem diretrizes que norteiam. Então, tudo começa no projeto.

MARCOS ANTÔNIO SANTOS ROMANO: Isso são pesquisas: a construção civil tem um desperdício de mais de 40%. Isso é um absurdo, é ridículo. Até alguns meses atrás, eu dizia que a construção civil só perdia para a indústria da pesca em atraso; recentemente, não perde mais. Nós somos a indústria mais desatualizada, mais atrasada, e a gente vê isso nas discussões de mão de obra: a construção civil, as empresas grandes, estão atrasando porque não têm mão de obra, porque não têm atualização. A gente participa de todos [os debates]; tem evoluções maravilhosas, mas esse é o dado: 40% de desperdício na construção civil é crime — não só ambiental, como de todo o planejamento.

CARLOS ALBERTO DE MORAES BORGES: Só um momento rápido, por exemplo, no caso de transporte. Foi falado várias vezes aqui em inspeção veicular. Qual é o impacto, por exemplo, de a gente ter uma inspeção veicular focada em carros mais antigos, em caminhões, naqueles que efetivamente têm mais impacto? Às vezes, uma única solução focada, que você fala “eu vou fazer”, tem impacto maior do que 30 ou 40 outras que você faz. Então acho que essa análise de impacto é importante: das 110 metas, quais são as que geram realmente impacto? E aí a gente tem que ser pragmático também. São Paulo não tem, por exemplo, um sistema de transporte coletivo que permita que a gente não tenha carro, como tem em outras cidades do mundo. Tem cidades no mundo em que eu vou e não uso carro, não vale a pena; eu ando de transporte coletivo com segurança, com tranquilidade. Infelizmente, a gente ainda não chegou lá; estamos caminhando para isso. Então é nesse sentido: não só do foco, mas do impacto mais claro. E tem coisas que são muito difíceis mesmo, como a conscientização para a menor utilização do carro. Acho que temos que continuar fazendo, mas

Então, como a gente pode contribuir para que essas iniciativas, visando a sustentabilidade e todas as questões que são colocadas aí nos diversos planos, possam ser colocadas no projeto? Eu não estou dando uma ordem de que isso pode, mas eu tenho certeza absoluta de que pode. Então eu estou colocando o departamento de projetos à disposição. O que for no projeto vai para a obra, e da obra para a sustentabilidade e para a cidade. Nós temos centenas de urbanizações, centenas de projetos de provisão, em que a gente pode, com certeza, fazer esse trabalho conjunto e dar o primeiro passo. Como diz o provérbio chinês: a longa caminhada começa pelo primeiro passo. E mais uma vez,

CARLOS ALBERTO DE MORAES BORGES:

Romano, com todo respeito, só queria discordar. Nós temos estudos que comprovam que esse número de 40% nunca foi real. Ele foi baseado num estudo que não tinha profundidade. Nós temos hoje, na média, menos de 10% de perda; eu posso te provar. E a gente tem um processo de industrialização que está aumentando: a Fundação

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